11 de janeiro de 2019, 14h46

“Bloco Soviético” desiste de desfilar no carnaval de SP por risco de ataques da direita

"Não é mais engraçado brincar de comunismo recreativo quando a acusação de ser comunista se tornou efetivamente perigosa", escreveram os organizadores do bloco de rua de cunho esquerdista, que temem pela integridade física dos foliões dado o contexto político deste ano

Foto: Reprodução/Facebook Bloco Soviético

As declarações do presidente Jair Bolsonaro e de seus apoiadores contra o PT, a esquerda, os “vermelhos” e os “comunistas”, além dos atos concretos de violência contra pessoas associadas a esses grupos, estão intimidando até mesmo foliões de carnaval.

No início da semana, os organizadores do “Bloco Soviético”, um bloco de rua independente do carnaval da cidade de São Paulo, informaram que esse ano não haverá desfile por conta do risco de represálias da direita. Dada a mudança radical de contexto que vivemos de 2013 pra cá, achamos que nossa piada essencial se esgotou. “Não é mais engraçado brincar de comunismo recreativo quando a acusação de ser comunista se tornou efetivamente perigosa – por mais patético que isso seja – e é usada amplamente pelas forças políticas horríveis que ascenderam ao poder no país”, escreveram.

O comunicado do bloco afirma ainda que teme pela “integridade física” dos foliões e que sair às ruas este ano seria uma “irresponsabilidade”.

Nas ruas desde 2013, o Bloco Soviético surgiu através de um pequeno grupo de amigos que queriam fazer paródias carnavalescas com letras de esquerda e tomou grandes proporções até chegar ao seu maior desfile, em 2017, quando foi comemorado o centenário da Revolução Russa. Na ocasião, o bloco conseguiu juntar cerca de 20 mil “comunistas”.

Confira, abaixo, a íntegra do comunicado.