Renato Rovai

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Outro mundo em debate.

11 de dezembro de 2012, 18h43

Mano Brown pede o impechment de Alckmin na Assembleia Legislativa de São Paulo

Na noite desta segunda-feira, 10, aconteceu na Assembleia Legislativa de São Paulo uma sessão solene da Comissão de Direitos Humanos, presidida pelo deputado Adriano Diogo, para a entrega do Prêmio Santos Dias de Direitos Humanos. Entre os homenageados estava a maior e mais ativa voz do rap nacional, o líder dos Racionais MC’s, Mano Brown. […]

(Foto: Divulgação)

Na noite desta segunda-feira, 10, aconteceu na Assembleia Legislativa de São Paulo uma sessão solene da Comissão de Direitos Humanos, presidida pelo deputado Adriano Diogo, para a entrega do Prêmio Santos Dias de Direitos Humanos.

Entre os homenageados estava a maior e mais ativa voz do rap nacional, o líder dos Racionais MC’s, Mano Brown.

Como sempre, Brown não poupou críticas ao governo estadual e pediu o impeachment de Alckmin, sendo ovacionado de pé pelo público presente, a maioria dele composto por integrantes de movimentos sociais.

Leia o forte depoimento de Mano Brown:

“Boa noite, nem tão boa né?

É claro que durante toda a minha vida eu fui arredio a situações como essa, de uma casa dessa importância. Mas tendo a emergência do momento e também pelo peso do convite de quem foi feito (deputada Lecy Brandão), e a causa, que é maior que nós todos, eu fui obrigado a aceitar. Não é o meu lugar de conforto, a minha zona de conforto não é aqui, eu gosto da minha quebrada, meu escritório é a rua.

Eu estou assistindo o genocídio de perto. Onde eu vou eu tenho falado, na maioria das vezes saímos sem proteção, só com a proteção de deus, mas o recado é sempre dado. O que tenho falado nos últimos dias é que existe um plano realmente. Eu considero esse plano de governo do Alckmin suicida se ele quer ser presidente do Brasil, não vai funcionar. Como estratégia para ele é suicida, não vai acontecer, ele é o governador das chacinas. Está marcado para a história. Ele é o governador que usou a morte como instrumento de domínio, um rei medieval. Estou falando palavras frias. É necessário uma certa frieza no momento. 

Eu fico pensando assim: como o Brasil se posiciona, está pra entrar no G8 ou G20, sei lá, e permite na maior cidade da América Latina 20, 30 mortes por final de semana. Sendo que a mídia não mostra a realidade dos fatos, as informações são distorcidas, nomes trocados, e nós assistimos como se fosse uma guerra de quadrilha. Só que uma quadrilha tem autorização do governo e a outra está desarmada de costas no beco.

Essa ideia vai muito longe, é a ideia de todos os dias. É a ideia que eu troco com os meus amigos, com quem eu trabalho, a ideia do genocídio. Se não bastasse os 3 mil jeitos que o preto tem de morrer em São Paulo, agora tem um governador que autorizou matar. Ele vem a público e fala que não é para se desesperar que a população é gigante, que a porcentagem é falsa e não está morrendo tanta gente perante o tamanho da população. São Paulo tem 25 milhões e na conta do Alckmin pode morrer 10% que fica no balanço equilibrado. Então, o que temos que fazer realmente é o impeachment, derrubar o cara!”

(Colaborou: Felipe Rousselet)