Renato Rovai

Blog do Rovai

Coluna política

13 de maio de 2014, 22h49

Se estivesse sozinho, os caras já teriam dado um fim em mim, diz Rodrigo Pilha

Eu não esperava que o Aloysio seria tão troglodita. Eu esperava que ele ia ficar incomodado, óbvio, senão não teria perguntado. Mas eu não esperava que ele seria tão destemperado, descontrolado.

"Eu quero ainda falar com o Imbassahy, líder dos tucanos na Câmara, para saber se é verdade que ele recebeu R$ 100 mil do Youssef"

“Mexi com a máfia tucana em São Paulo”, diz o blogueiro Rodrigo Grassi

“Vá pra puta que te pariu”, foi o que ouviu o blogueiro Rodrigo Grassi, ou Rodrigo Pilha, depois de perguntar ao senador Aloysio Nunes sobre o suposto envolvimento dele com o cartel do metrô em São Paulo, que não é algo inventado por Grassi, mas parte da investigação da Polícia Federal. Depois dessa “conversa”, ele foi levado pela polícia do Senado, que confiscou o celular utilizado na gravação.

A Revista Fórum está atenta em relação à situação de Grassi, especialmente porque ele vem sendo vítima de vários tipos de ameaça. Em entrevista ao repórter Lucas Reginato, ele apresenta outros detalhes do que aconteceu quando tentou voltar ao Congresso e revela que os grandes veículos de comunicação não se preocuparam em ouvir a sua versão sobre o ocorrido.

Blog do Rovai – Alguma chance de recuperar o celular que tomaram de você depois da pergunta feita ao Aloysio Nunes?
Rodrigo Grassi – Muita gente já fala que a polícia do Senado é autoritária. A deputada Érika [Kokay – PT], não porque eu trabalhei com ela, mas também a senadora Ana Rita (PT-ES), o deputado Amauri Teixeira (PT-BA), todos eles estão questionando o fato de terem me perseguido por mais de 500 metros, terem me arrancado de dentro de um ônibus e me prendido. Eles violaram tudo quanto é tipo de direito. Na sexta-feira, eu protocolei um requerimento de informação pedindo que eles legalmente me explicassem qual era o motivo da minha prisão. Baseado em qual dispositivo legal apreenderam o meu celular, e ainda por cima sem lacrar. Ainda não responderam. De manhã, a Érika protocolou o pedido na presidência do Senado cobrando explicação e pedindo inclusive a íntegra dos vídeos da segurança interna, e até agora não tivemos nenhuma resposta.

Hoje eu vou encontrar com meu advogado para que a gente veja que medida legal podemos adotar – isso só em relação ao telefone. Porque ontem eu fui entrar de tarde para protocolar um documento na presidência – vou soltar um vídeo – um agente simplesmente falou que eu não podia entrar. Eu perguntei por que. Ele disse que eu era figurinha carimbada, que não podia entrar e ponto. Eu perguntei: “Mas você está amparado em qual dispositivo?”. Ele disse que eu estava sendo processado, e até brinquei – “mas tem um monte de senador sendo processado”.

Blog do Rovai – Você recebeu algum tipo de ameaça?
Rodrigo Grassi – Dessa vez eu não sofri nenhuma ameaça por telefone, igual aconteceu no caso do Joaquim Barbosa. Mas eu recebi ameaças no Facebook, tanto ameaças públicas como por inbox, ameaça pública no Twitter e também nos comentários dos meus vídeos no Youtube. No Youtube eu deixo o debate rolar, mas quando eu vejo que alguém faz uma ofensa eu tiro.
Eu não vou em casa desde segunda passada, resolvi até porque dessa vez, se não recebi ameaça por telefone, as ameaças pela rede aumentaram. Nunca tive medo, não vou parar, mas dessa vez achei por bem até porque eu mexi com a máfia tucana de São Paulo. Eu pretendo seguir, mas enquanto não baixa a poeira eu fico na casa de amigo, de parente, etc.

Blog do Rovai – E valeu a pena?
Rodrigo Grassi – Valeu. Celular, essas coisas a gente corre atrás. Se por um lado está tendo muita ameaça, muita agressividade por parte da galera mais conservadora, tucana, do outro lado está tendo muita solidariedade, não só dos meus amigos, das pessoas que sabem da minha integridade, mas também do pessoal da blogosfera, dos jornalistas honestos, não porque estou falando com você da Fórum, mas vocês, o 247, a galera do Conversa Afiada. Se eu estivesse sozinho os caras já tinham dado um fim em mim.
Eu não esperava que o Aloysio seria tão troglodita. Eu esperava que ele ia ficar incomodado, óbvio, senão não teria perguntado. Mas eu não esperava que ele seria tão destemperado, descontrolado.
Eu que termino aparecendo mais nos vídeos, mas tem uma galera, a gente se reúne todo domingo, tem um pessoal ajudando tanto no Facebook como na elaboração da página botandopilha.com, que deve entrar no ar dia 6 de junho.
Eu não esperava que teria uma dimensão tão grande, e se teve dimensão é sinal de que estamos do lado certo. A gente vai conseguir o mandado de segurança, se não me deixarem entrar no Senado vou ficar na chapelaria, e vou fazer as perguntas inconvenientes para quem a grande mídia não quer perguntar.

Blog do Rovai – Veja, Globo e afins distorceram totalmente o que aconteceu. Alguém entrou em contato para falar com você?
Rodrigo Grassi – Ninguém. Quem fez de conta que tentou falar comigo foi a Daniela Lima, da Folha de S. Paulo. Ela me mandou um inbox e eu falei que estava sem telefone porque meu telefone estava com a polícia do Senado. Falei que estava na rua, para ela me mandar as perguntas por e-mail que quando chegasse em casa respondia. Mas antes de eu responder ela já tinha publicado a matéria sem saber o meu lado.
A Veja nunca me procurou, e também confesso que não sei se responderia. Agora eu não tenho mais nada o que falar com a Veja, com Gabriel Castro, com Reinaldo Azevedo, com esses colunistas reaças. É na Justiça a conversa agora. Eles precisam se decidir. Uma hora colocam que eu sou um playboy petista, outra hora que eu sou um talibã. Nunca vi um playboy talibã.
A Globo então, nunca. Quem tentou na hora em que eu estava na delegacia foi o Correio Braziliense. Eu perguntei para o agente se poderia responder, ele falou que não, que estava proibido, sob tutela, e que não poderia falar nada que não fosse em juízo, e por isso não consegui atender. Falei por telefone, se não me engano, com um rapaz do Terra.
Mas Globo, Folha e Veja soltaram matérias sem me procurar. Eles quebraram a cara porque podem pegar meu vídeo e fazer perícia – não vão conseguir identificar nada de errado porque nem tive tempo para isso, tive que dar uma blefada, falar que o vídeo já estava na rede, para conseguir subir de dentro da delegacia do Senado. Não tinha como editar. Podem pegar também as imagens do circuito interno, não tem nada, nem uma palavra de baixo calão que eu tenha falado para o Aloysio. Eu estou bem tranquilo porque os vídeos mostram que eu só fiz a pergunta para o cara. E eu quero ainda falar com o Imbassahy, líder dos tucanos na Câmara, para saber se é verdade que ele recebeu R$ 100 mil do Youssef. Vou apanhar de novo, mas “vamo que vamo”.