Renato Rovai

Blog do Rovai

Coluna política

27 de fevereiro de 2018, 07h29

Sem risco Lula, mercado começa a discutir chapa Alckmin-Meirelles

Alckmin já teria sido consultado e topado a articulação. Sua entrevista ao Canal Livre, da TV Bandeirantes, no último domingo, teria sido calculada para fazer acenos a esse público

Após a condenação do ex-presidente Lula em segunda instância, consolidou-se no mercado financeiro a certeza de que a sua candidatura a presidente está inviabilizada. Mesmo que não venha a ser preso, Lula seria cassado pela ficha limpa. Com isso, o cenário de segundo turno das eleições teria se tornado menos ameaçador para o projeto neoliberal que vem sendo implementado após o golpe contra Dilma Rousseff.

Em Lula disputando, o risco de ele e Bolsonaro irem ao segundo turno era muito grande e por isso candidaturas de perfis mais populares, como a de Luciano Huck, eram estimuladas. Com a sua interdição, o que se discute hoje é a retomada de um projeto considerado como mais “político” e “prudente”. E no vácuo desta tese cresceu nos últimos dias a conversa em torno da chapa Alckmin-Meirelles, garante uma fonte deste blogue.

Alckmin já teria sido consultado e topado a articulação. Sua entrevista ao Canal Livre, da TV Bandeirantes, no último domingo, teria sido calculada para fazer acenos a esse público. O governador de São Paulo disse que começaria as privatizações pela Caixa Econômica Federal (música para o ouvido dos banqueiros) e que não se contrapõe à privatização da Petrobras.

O ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, trabalha por essa aliança, já que Meirelles ainda é filiado ao PSD. E com isso seria “premiado” com o cargo de vice na chapa da João Doria ao governo de São Paulo.

Meirelles fez sinais a Temer de que estaria disposto a se filiar ao MDB, mas teria gostado dessa possibilidade de composição com Alckmin.

Os adversários dessa nova chapa seriam Rodrigo Maia e Michel Temer. O primeiro, considera a fonte, não teria como criar problemas. Sua ambição eleitoral não é tão voraz e se contentaria com a promessa de novo mandato na presidência da Câmara. O segundo, estaria atônito por estar sendo escanteado e por isso estaria jogando tudo na articulação com as Forças Armadas para buscar crescer no campo mais conservador.

Alckmin está costurando essa sua nova candidatura com mãos de cirurgião. E em silêncio, como bom caipira.  Agora, ele vai começar a jogar suas belas tranças na direção de Temer. Se conseguir convencê-lo de que é a melhor alternativa para protegê-lo quando vier a ficar sem o cargo de presidente, terá pista livre para voar.