Renato Rovai

Blog do Rovai

Coluna política

05 de março de 2018, 13h03

Objetivo do PSOL é eleger ao menos 12 deputados federais em 2018; veja os nomes

No Rio de Janeiro, o partido quer eleger cinco. Em São Paulo, ao menos dois. E reeleger Edmilson Rodrigues no Pará. Os outros quatro deputados viriam de outros estados.

No último sábado o PSoL, a despeito das resistências de grupos barulhentos, mas minoritários, praticamente selou a sua chapa para a disputa presidencial deste ano. Ela terá Guilherme Boulos como candidato a presidente e a líder indígena Sonia Guajajara como vice. É uma chapa muito simbólica e representativa do ativismo de novo tipo.

A despeito de liderarem movimentos históricos, como a luta por moradia e a causa indígena, ambos conquistaram visibilidade e apoio por terem tido habilidade para lidar não só com as redes físicas, mas também digitais. Foi isso que lhes garantiu capilaridade e apoio para voos mais altos.

Mas se essa chapa do PSoL pode dar novos ares para um partido que busca há alguns anos um caminho que não seja a diferenciação do PT apenas pela crítica moralista, ao mesmo tempo ela não é a grande aposta para torná-lo mais forte institucionalmente.

A grande aposta do PSoL nessas eleições é a ampliação da bancada federal, que tem atualmente seis deputados. Erundina e Ivan Valente, por São Paulo, Chico Alencar, Jean Wyllys e Glauber Braga, pelo Rio de Janeiro, e Edmílson Rodrigues, Pará.

O atual presidente da sigla, Juliano Medeiros, diz que o número cabalístico é 12 deputados. Porque com essa quantidade de parlamentares o PSoL teria direito a uma série de vantagens na Câmara que lhe possibilitaria agir de forma mais dura, por exemplo, nas obstruções. “O PT muitas vezes abre mão disso”, afirmou ao blogue.

Para chegar aos 12 deputados, o partido conta com aproximadamente 20 vagas em diferentes estados que poderiam vir a ser do PSoL. No levantamento que fizemos, elas seriam:

Rio de Janeiro: O PSoL elegeu três deputados federais em 2014 e como Marcelo Freixo vai deixar a Assembléia para tentar uma vaga no Congresso desta vez espera-se que eleja no mínimo quatro nomes, mas o objetivo é cinco. Freixo, Jean Wyllys e Glauber Braga já estariam reeleitos. As outras vagas seriam disputadas por vários nomes.

São Paulo: Erundina, que veio do PSB, deve aumentar a votação da chapa e, com isso, o PSoL que vem elegendo apenas um deputado, Ivan Valente, deve eleger ao menos dois. Há quem ache que pode chegar a três nomes, já que a chapa vai ter candidatos como o agitador cultural Alexandre Yousseff.  E ainda por ter João Paulo Rillo, deputado estadual do PT, que está de malas prontas para o PSoL.

Minas Gerais: A vereadora mais votada de 2016 em Belo Horizonte foi Aurea Carolina. Com uma campanha simples, ela teve quase 18 mil votos. Com estrutura de mandato e mais conhecida, há quem aposte que ela possa chegar em 100 mil votos em todo o estado e com isso fazer votos para se tornar deputada. O partido não é forte no estado, mas está tentando montar uma chapa pra atingir este objetivo.

Pará: Todas as fichas serão jogadas para a reeleição de Edmilson Rodrigues. Como ele quase ganhou a eleição para prefeito de Belém em 2016, este objetivo deve ser alcançado.

Amapá: O vereador de Macapá Rinaldo Martins é a aposta do partido para federal. No estado, o PSoL é forte e já elegeu um senador, Randolfe Rodrigues. Como são apenas oito vagas, a dificuldade é conseguir fazer os votos de legenda.

Acre: No estado, o partido está na coligação governista liderada pelo PT e Cláudio Ezequiel é a aposta para a Câmara. Lá há inclusive a possibilidade de o PSOL estar na coligação do PT na chapa proporcional.

Pernambuco: O partido tem dois candidatos fortes ao Congresso, o ex-petista Paulo Rubem Santiago e o vereador eleito em Recife, Ivan Moraes Filho. Com isso, espera-se que um deles possa vir a ser eleito.

Rio Grande do Norte: A ex-vereadora Amanda Gurgel, que era do PSTU, vai sair candidata a deputada federal. Ela foi a mais votada na capital tanto em 2012 quanto 2016, mas no último pleito o PSTU decidiu não sair coligado e ela ficou de fora da Câmara Mucipal. A sua eleição não é tarefa fácil, mas pode vir a surpreender.

Ceará: O partido tentará eleger um deputado federal. O favorito é Renato Roseno, que foi eleito estadual, em 2014, com quase 60 mil votos. Mas Adelita Monteiro é um outro nome que pode surpreender.

Santa Catarina: Elson Pereira que foi candidato à prefeitura de Florianópolis em 2016 e teve 20,6% dos votos é a aposta do partido.

Porto Alegre: Luciana Genro, que disputou a presidência pela legenda em 2014 deve se candidatar a deputada estadual. A aposta pra Câmara Federal é a vereadora de Porto Alegre Fernanda Melchionna. Seu discurso jovem pode levá-la a se tornar um fenômeno parecido a Manuela D´Ávila e mesmo Luciana Genro quando se elegeu pela primeira vez.

Mato Grosso: O procurador Mauro, que teve excelente votação para prefeito de Cuiabá, é considerado um nome forte.

Distrito Federal: A ex-deputada do PT, Maninha, será candidata pelo partido. A dificuldade para elegê-la é que no DF só há oito vagas para federal. Sem coligação será muito difícil.

Para o senado, dois nomes podem levar de novo o PSoL a ter uma cadeira na Casa. Já que Randolfe não é mais do partido. Chico Alencar pelo Rio de Janeiro e Ursula Vidal pelo Pará. Ambos, porém, não terão tarefa fácil pela frente.

Se o PSoL conseguir eleger cinco federais pelo Rio, dois por São Paulo e mais um pelo Pará, para chegar ao “número cabalístico” de 12 ele tem de fazer mais quatro de todas as possibilidades citadas acima. Convenhamos, não é exatamente uma tarefa impossível. E isso colocaria o partido em outro patamar político.