Renato Rovai

Blog do Rovai

Coluna política

16 de maio de 2018, 11h40

Moro e Doria esquecem que a história também costuma ser cruel e não usa gravatas borboletas

Se Moro tivesse sob qualquer limite democrático que fosse, ele não aceitaria tirar aquela foto de maneira alguma.

(Foto: Divulgação/Facebook João Doria)

A foto de João Doria, Sérgio Moro e suas respectivas esposas é um retrato do Brasil com y. Aquele país jeca, metido à besta, sem qualquer classe e absurdamente comprometido com a nossa tradição escravocrata.

Aquele Brasil que mandava lavar seus vestidos e lençóis em Paris, porque a água daqui era suja.

Mas antes essa foto só retratasse isso. Ela é muito mais abjeta e escandalosa.

Ela traduz o atual estágio da democracia brasileira e do golpe que estamos vivendo.

Doria é um dos líderes do PSDB, partido que tem praticamente todos os seus expoentes envolvidos em escândalos. E todos soltos, porque a justiça os protege.

Além disso, é também candidato a governador. Ou seja, vai disputar uma eleição daqui a cinco meses.

Se Moro tivesse sob qualquer limite democrático que fosse, ele não aceitaria tirar aquela foto de maneira alguma.
Mas fuck you todo mundo e todos limites.

Seu papel é outro, não de juiz. Sua preocupação é outra, não com a democracia.

Ele quer mostrar que está acima da lei e de todos os seus contornos. Quer deixar claro que pode tudo. Quer mostrar a língua (como se fosse um moleque de escola ginasial) para os que questionam sua independência.

Moro e Doria devem estar morrendo de rir neste momento do que causaram. Provavelmente estão trocando mensagens com emojis e expressões em inglês pelo whatsapp comentando a “raiva que os petistas ficaram”.

Se esquecem porém de uma coisa. A história, como eles, também costuma ser cruel. E não usa gravata borboletas.