Renato Rovai

Blog do Rovai

Coluna política

10 de agosto de 2018, 00h29

Da prisão, quem ganhou o debate da Band foi Lula

O debate da Band vinha sendo tratado como a grande oportunidade para que alguns presidenciáveis entrassem no jogo da disputa eleitoral. Afinal, esta eleição tem 13 candidatos e a divisão permite que alguém com 15%, 20% dos votos, chegue ao segundo turno. Mas a possibilidade de aparecer para o grande público numa TV aberta e […]

O debate da Band vinha sendo tratado como a grande oportunidade para que alguns presidenciáveis entrassem no jogo da disputa eleitoral. Afinal, esta eleição tem 13 candidatos e a divisão permite que alguém com 15%, 20% dos votos, chegue ao segundo turno.

Mas a possibilidade de aparecer para o grande público numa TV aberta e por um longo período não era a única grande oportunidade. Havia outra imensa. O líder das pesquisas fora proibido de participar deste encontro pela justiça. E seu vice, Fernando Haddad, não foi autorizado pela emissora a representá-lo.

Nada pior para o PT, deve ter pensado o gênio que armou esta cilada.

Pois é, danou-se.

Ciro Gomes e Guilherme Boulos foram isolados pelos outros candidatos que não perguntavam a eles. E o programa se concentrou em Alckmin, Álvaro Dias, Meirelles, Marina, Bolsonaro, Cabo Daciollo etc.

O debate da Band se tornou um programa de horror. Em todos os sentidos, estéticos e políticos.

Pessoas feias, com discurso modorrento e propostas mais do que emboloradas.

Não havia como não lembrar de Lula.

E por este motivo a iniciativa do PT de fazer um debate com Haddad, Manuela D´Avilla, Gleise Hoffman e Gabrielli acabou sendo um grande sucesso nas redes.

Não era possível acompanhar o programa dos “homens de bem”, acompanhados de uma candidata que é contra o direito da mulher abortar.

A iniciativa da Band, que poderia tirar votos de Lula, acabou sendo um imenso tiro no pé.

Lula ganhou o debate mesmo sem ter ido. E Haddad idem. Se Ciro Gomes e Boulos tivessem se juntado a Haddad e Manuela teriam ganhado mais.

É incrível como esta eleição sem Lula é um trem fantasma em todos os sentidos.