Renato Rovai

Blog do Rovai

Coluna política

25 de agosto de 2018, 09h37

Doria já perdeu a eleição para o governo de SP

Sua estratégia de ficar atacando o PT e Lula enquanto exalta a eficiência tucana e sua honestidade de gestor moderno não ficam mais em pé.

A Rede TV realizou ontem o segundo debate entre os candidatos ao governo de São Paulo. Para uma sexta das 22h às 24h não foi assim um programa tão emocionante, mas valeu a pena pelo resultado. Ao final, uma avaliação clara e límpida corria pelos 30 anos de jornalismo do blogueiro. Será uma imensa zebra a vitória de Doria ao governo. Ele já teve seu discurso e estratégias derrotados pela conjuntura e parece um boneco de playmobil repetindo frases que decorou em 2016.

Doria se tornou uma caricatura de si mesmo e ontem só não perdeu mais votos porque eram poucos os heróis da resistência que assistiram ao debate.

Sua estratégia de ficar atacando o PT e Lula enquanto exalta a eficiência tucana e sua honestidade de gestor moderno não ficam mais em pé.

A professora Lisete, do PSOL, por exemplo, tirou ele completamente do sério apenas dizendo que sua nota no governo de São Paulo foi 3,7 o que lhe deixou em recuperação, mas que a condenação por improbidade pela justiça que havia sido divulgada ontem o havia reprovado.

Luiz Marinho, do PT, no melhor momento da noite, ofereceu ao tucano a possibilidade de pedir desculpas pelo fato de ter como presidente da Embratur publicado publicidades oficiais com fotos de mulheres nuas para divulgar o Brasil no exterior. Ao invés de tratar do assunto de maneira séria, Doria espumou xingando o PT e chamando Marinho de ladrão, o que lhe permitiu um direito de resposta. Doria teve que engolir que era o único condenado naquela sala.

Sua arrogância e prepotência não permitirão que mude o rumo e saia do discurso anti-Lula. Ele está preso a este personagem. E ninguém vai ganhar eleição a cargo executivo no Brasil de 2018 xingando Lula da forma que ele faz. Nem em São Paulo.

Neste momento o favorito passa a ser Paulo Skaf, que tem um imenso telhado de vidro por ser o candidato do partido de Temer. Mas a eleição está aberta. Tanto Marcio Franca quanto Marinho ainda podem crescer e ir ao segundo turno. Doria tende a ser o grande fiasco desta eleição. Exatamente o inverso de 2016.

Política é mais complexa do que gestão de marketing. Ele ajuda, mas não resolve tudo. Doria envelheceu como produto e se tornou um mala sem alça a ser carregado pelo tucanato.