Renato Rovai

Blog do Rovai

Coluna política

28 de agosto de 2018, 21h47

Bolsonaro enfrenta Globo e apresentadores do JN e reforça imagem de mito entre o seu público

Bolsonaro não perdeu um voto. Pode não ter ganhado. Mas só de ter enfrentado a Globo e seus apresentadores da forma como o fez, ampliou sua imagem de mito para o seu público

(Foto: Reprodução)

O candidato Jair Bolsonaro tem se mostrado muito mais inteligente e preparado do que se imaginava nas vezes que tem enfrentado jornalistas. Foi assim na GloboNews, quando “jantou” nove deles de forma tranquila e falando a língua do povo.

Desta vez, Bolsonaro estava visivelmente mais nervoso e com um discurso um pouco acima do tom, mas isso não foi suficiente para que perdesse votos na opinião do blogueiro. Bolsonaro pode ter aumentado sua rejeição, mas não diminuiu seu apoio.

E fundamentalmente porque ele mostrou coragem para ir para cima dos apresentadores nos momentos que foi desafiado. O primeiro momento de tensão se deu quando Renata Vasconcelos cobrou-lhe ter justificado a diferença entre salários de homens e mulheres. Ele disse que ela não falava a verdade e retrucou dizendo que ela também devia ganhar menos que Bonner. Foi uma evidente grosseria, mas que deve ter feito os homens que o apoiam ter vibrado. Ao mesmo tempo aumentou sua rejeição entre mulheres. Quando Renata Vasconcelos disse que ela pagava os salários dele como cidadã e ele não fazia o mesmo em relação ao salário dela, Bolsonaro teve a coragem de dizer no JN que a Globo recebe imensas verbas públicas de governos.

No momento em que foi confrontado com uma declaração bizarra sobre segurança pública, em que havia dito que violência se combate com mais violência, ele fez o mesmo. Foi para cima de Bonner citando armas cada vez mais poderosas e dizendo que iria armar sim a polícia. É tudo o que seu eleitorado quer ouvir.

Ao final, Bonner ainda tentou a última cartada dizendo que o General Mourão havia dito que se fosse necessário as Forças Armadas deveriam intervir para garantir a ordem. Bolsonaro não se fez de rogado e disse que era isso mesmo. Que em 1964 isso já havia ocorrido e Roberto Marinho tinha apoiado. E começou a citar de cor o editorial de O Globo defendendo o golpe militar.

Bolsonaro não perdeu um voto. Pode não ter ganhado. Mas só de ter enfrentado a Globo e seus apresentadores da forma como o fez, ampliou sua imagem de mito para o seu público.