Renato Rovai

Blog do Rovai

Coluna política

04 de setembro de 2018, 21h53

Haddad dá o tom de sua campanha na Record News

Quem esperava um substituto de Lula falando de cima de um muro, se enganou.

Foto: Reprodução

Haddad teve o seu teste em sabatinas como candidato a presidente da República há pouco na Record News. Sim, eu sei, ele foi lá como candidato a vice, mas todos que o assistiram o viram no papel que provavelmente desempenhará em breve.

O golpe não fecha com Lula candidato a presidente, porque ele ganha no primeiro turno e desmoraliza o estabilishment, com o Supremo e com tudo.

Por isso a entrevista foi diferente das de outros vices que virão.

E Haddad se saiu muito bem. Tanto do ponto de vista da comunicação como da defesa das propostas que interessam ao campo progressista.

Haddad, por exemplo, não tergiversou em relação a questões polêmicas.

Defendeu a intervenção no sistema financeiro pra diminuição das taxas de juros.

Defendeu a democratização da mídia e a intervenção pra que grupos que detêm líderes de mercado em jornais, rádios e TVs em cidades e regiões não possam operar sem concorrência.

Defendeu uma urgente reforma tributária e que os estados que perderem receita tenham compensação da união para entrarem no plano da reforma.

Defendeu o Imposto Territorial Rural (ITR) progressivo para quem não usar a terrar de forma produtiva ou tiver desmatado. Os recursos desse aumento de imposto seriam usados para a reforma agrária.

Ou seja, Haddad se comprometeu com um programa de governo radical, que pode mudar o Brasil em áreas decisivas para que ele avance democraticamente.

Quem esperava um substituto de Lula falando de cima de um muro, se enganou. O professor da USP vai continuar tranquilão, mas parece ter entendido os recados do golpe. E se vier a ser o substituto do Lula, vai fazer o que Lula provavelmente faria.