Renato Rovai

Blog do Rovai

Coluna política

06 de setembro de 2018, 08h45

Muita fumaça e pouco fogo, pesquisa Ibope/JN mantém quase tudo na mesma

Bolsonaro tinha 20%, passou para 22%; Marina continuou com 12%; Ciro Gomes 9%, cresceu três pontos e foi para 12%; Alckmim passou de 7% a 9% e Haddad de 4% para 6%; Álvaro Dias continuou com 3% e João Amôedo saltou de 1 ponto para 3%.

O Ibope divulgou ontem no Jornal Nacional uma pesquisa pela metade que foi realizada entre os dias 1 e 3 deste mês. Ou seja de sexta a segunda-feira.

Pela metade porque excluiu os cenários com o líder absoluto, Lula. Com a alegação de que sua candidatura teria sido completamente cassada, o que é mentira.

Tentando dar ares de ilegalidade a essa tese, o Ibope/JN consultou o TSE sobre o assunto. E o TSE não respondeu. Porque sabe que Lula ainda tem recursos a serem julgados.

Ah, mas o Lula não vai ser candidato…. Este blogueiro diz isso há mais de ano, que com Lula na cédula o golpe não fecha. Porque ele desmoraliza o golpe, ganhando a eleição no primeiro turno.

Mas isso é conversa para outro dia.

A meia pesquisa do Ibope não tem muita coisa nova. Porque para analisá-la é preciso compará-la com a Ibope anterior num cenário sem Lula, realizada em 20 de agosto.

Vamos aos dados.

Bolsonaro tinha 20%, passou para 22%; Marina continuou com 12%; Ciro Gomes 9%, cresceu três pontos e foi para 12%; Alckmim passou de 7% a 9% e Haddad de 4% para 6%; Álvaro Dias continuou com 3% e João Amôedo saltou de 1 ponto para 3%.

 

Ou seja, resumo da ópera. Ninguém caiu. Marina e Álvaro Dias foram os únicos que não cresceram. E todos os outros subiram dois pontos, com exceção de Ciro que saltou 3%.

A pesquisa foi melhor para Ciro do que para os outros, mas é um erro dizer que ela foi muito melhor. Até porque se o crescimento for analisado percentualmente, Ciro ampliou seus votos em 35%, Haddad em 50% e Amôedo em 200%.

Mas também é possível dizer que praticamente todo mundo oscilou na margem de erro.

Se a pesquisa foi ruim para alguém o nome dessa pessoa é Alckmin e não Haddad, como alguns analistas de torcida organizada estão tentando cravar.

O levantamento foi feito de sexta a segunda, período no qual o tucano já estava com seu latifúndio eleitoral do rádio e da TV a todo vapor. Ele poderia ter se aproveitado disso e crescido mais. Afinal suas aparições foram muito superiores a de seus adversários. Mas não rolou.

Por outro lado, desde que as candidaturas presidenciais foram homologadas, Haddad não está sendo apresentado como presidenciável. E sim como vice. Nesta condição não participou dos debates e nem das sabatinas. E no primeiro programa de TV do PT quem apareceu foi Lula e não ele.

A primeira veiculação com Haddad ocupando maior parte do tempo se deu na terça-feira, quando a pesquisa já havia deixado o campo.

Ciro tem o que comemorar, porque mesmo com pouco tempo de TV deu um salto. E isso tem a ver com sua proposta de limpar o nome daqueles que estão no SPC. A campanha de Ciro diz ter ainda outras propostas tão sedutoras quanto essa e que serão apresentadas no curso da disputa. Se elas pegaram tão bem quanto a primeira, o pedetista entrou definitivamente no jogo pela vaga no segundo turno. E quando perdeu o apoio do centrão, do PSB e do PCdoB Ciro parecia ter ficado pelo caminho.

Bolsonaro, também tem o que comemorar. Ele não caiu, ao contrário, cresceu. E mesmo depois de intensos ataques da campanha tucana.

Enfim, a meia pesquisa do Ibope não mudou quase nada. E ainda não serve sequer pra indicar tendências. Mesmo a primeira posição, de Bolsonaro, não parece estar tão consolidada.

O jogo começa a ser jogado de fato no dia que Lula for completamente tirado da disputa e indicar aquele que terá o seu apoio. Isso provavelmente acontecerá no dia 11 próximo. Uma pesquisa para valer incluindo este movimento só lá pro dia 17, 18. Até lá não é jogo, é treino. E toda paciência para não desesperar e nem fazer análises apressadas é algo que deve ser levado em conta. O jogo ainda mal começou.


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