Renato Rovai

Blog do Rovai

Coluna política

17 de setembro de 2018, 21h07

Projeto de Bolsonaro é ser um Fujimori brasileiro

Se vier a instaurar uma ditadura após sua eleição, Jair Bolsonaro não poderá ser acusado de estelionato eleitoral.

O discurso de Bolsonaro e do seu vice, General Mourão, não deixam margem alguma a dúvidas acerca do seu projeto para o caso de vitória nas urnas. Eles vão construir uma ditadura referendada pelo voto popular. Algo semelhante ao que fizeram Hitler e Mussolini, mas também ao que fez mais recentemente Alberto Fujimori num passado recente no Peru.

Fujimori foi eleito presidente em 28 de julho de 1990, derrotando o Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, que era amplo favorito, numa eleição duríssima. Como não tinha maioria no Congresso, na sequência, em 5 de abril de 1992, Fujimori dissolveu o Congresso, fechou o Poder Judiciário, o Ministério Público, o Tribunal Constitucional e o Conselho da Magistratura, em colaboração com as Forças Armadas. E instaurou uma ditadura sanguinária e corrupta no país.

Fujimori, como Bolsonaro, tinha um discurso misógino e, entre outras coisas, esterilizou sem consentimento mais de 300 mil mulheres, a maioria indígenas, no país.

Bolsonaro não terá cometido estelionato eleitoral

Se vier a instaurar uma ditadura após sua eleição, Bolsonaro não poderá ser acusado de estelionato eleitoral. Ele já afirmou que se vier a ganhar a eleição vai nomear mais 10 juízes no Supremo Tribunal Federal, ampliando a corte para 21 integrantes. Seu vice afirmou que uma Constituição não precisa ser feita por representantes do povo, mas por notáveis. Além disso, ambos têm prometido governar com militares e promover aumentos diferenciados para eles.

Isso significa governar com tanques nas ruas. E só desse jeito é que Bolsonaro conseguirá implantar o programa econômico de Paulo Guedes, que prevê a privatização de tudo. E também com o fim de todos os programas sociais.
O risco da eleição de Bolsonaro é muito maior do que a brincadeira de moleques de alguns setores. O Peru paga até hoje por ter embarcado na aventura Fujimori. A elite brasileira está brincando com fogo. E não vai só acordar tendo feito xixi na Câmara, mas provavelmente completamente torrada. É por isso que todo esforço para não elegê-lo não é pouco.