Renato Rovai

Blog do Rovai

Coluna política

10 de outubro de 2018, 13h19

Por que o bolsonarismo é o talibanismo tupiniquim

Um estado teocrático militarizado é um imenso perigo. E quando Bolsonaro mistura versículos bíblicos com gestos metralhando adversários é isso o que ele aponta para o futuro.

Mulher é apedrejada por adultério no Afeganistão, em novembro de 2015, por talibãs.

Um mestre de capoeira assassinado com doze facadas nas costas em Salvador, um jovem de camisa vermelha sendo agredido de forma violenta em Teresina, o espancamento na noite de ontem de um estudante da UFPR, a perseguição a jornalistas que manifestam opiniões contrárias ao que Bolsonaro pensa, destruição de templos de umbandas e de candomblé e os ataques a Roger Walters.

Isso tudo somado está colocando o Brasil no rumo do Afeganistão caso Bolsonaro venha a ser eleito. Um lugar dominado por um tipo de talibanismo, onde mulheres de minissaias serão apedrejadas, casais homoafetivos agredidos, professores de histórias serão retirados à força da sala de aula ao falar de nazismo, fascismo ou da época ditadura e em que adversários políticos serão assassinados.

As ameaças a jornalistas e pessoas da cultura já estão ocorrendo, mas podem se tornar maiores. Exposições ou peças teatrais já estão sendo proibidas, mas isso ao invés de uma exceção pode vir a se tornar uma regra.

O bolsonarismo é o talibanismo tupiniquim e se você tem dúvida disso deve pesquisar no Google o que era o Afeganistão antes de este grupo ter assumido o controle do Estado. Cabul não era um protetorado religioso. Não era um país destruído pelo ódio.

O talibã surge como um movimento político e militar apoiado pelos EUA e a Arábia Saudita para derrotar o comunismo no país. E tirá-lo da influência da Rússia.

A CIA armou os talibãs, assim como há suspeita que esteja armando ciberneticamente Bolsonaro.

E por isso quando assumiu o poder em 1996, uma das primeiras ações do Talibã foi assassinar o ex-presidente do país, Mahammad Najubullah, e o seu irmão que eram do partido comunista.

Afeganistão nos anos 60, antes do talibã (Foto: Divulgação)

Quando Bolsonaro fala em metralhar adversários político, como fez no Acre, é disso que se trata. Não é uma metáfora. Não é uma brincadeira. É porque na história quando grupos extremistas chegam ao poder é assim que se resolvem as coisas.

Um estado teocrático militarizado é um imenso perigo. E quando Bolsonaro mistura versículos bíblicos com gestos metralhando adversários é isso o que ele aponta para o futuro.

Os adversários de hoje são Lula e o PT, como foram os comunistas no Afeganistão. Amanhã serão artistas, mulheres que não respeitarem a nova ordem moral, jornalistas, gays etc.

Mulheres em Cabul antes do Talibã

Bolsonaro não é uma brincadeira. Ele é uma séria ameaça à democracia e ao país. Derrotá-lo exigirá imenso esforço de um amplo campo político.

E por isso, se eleito, Haddad terá que, no seu mandato, investir fortemente para resgatar da democracia com ações firmes para melhorar a vida do povo.

Um governo essencialmente social democrata e amplo.

Que traga um sopro de renovação em todos os espectros ideológicos e firme um novo pacto para impedir que a barbárie se instale hoje ou amanhã por aqui.

Pois mesmo com a vitória de Haddad, o país não estará livre da noite para o dia desta ameaça. Mas antes é preciso derrotá-la nas urnas.

Ou o Brasil entrará num túnel muito mais escuro do que alguns supõem. Porque se há algo próximo do bolsonarismo no mundo não é Trump e nem Le Pen, mas o talibanismo, que junta fé e poder militar. E que transforma isso em perseguição a adversários num primeiro momento. Mas depois será a tragédia para muitos.