Renato Rovai

Blog do Rovai

Coluna política

16 de novembro de 2018, 09h33

Qual o significado da patética indicação para chefiar o Itamaraty?

Se há um lugar que não era necessário levar a bizarrice ao extremo era o Itamaraty. E se até lá prevaleceu essa lógica, imaginem no resto

(Foto: Reprodução Tv Globo)

O Brasil não é um país para amadores. Essa frase não é nova e nem minha. Você já deve tê-la ouvido por aí milhares de vezes. Esqueça-a. A vitória de Bolsonaro na eleição presidencial e a indicação de Ernesto Araújo para chefiar o Itamaraty desmontam completamente essa ideia que somos mais complexos do que parecemos.

Não há nada mais obtuso para um governo do que escolher um ser patético para comandar as Relações Exteriores.

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E isso acaba de acontecer a partir de uma indicação de ninguém menos do que Olavo de Carvalho. Um maluco alucinado que se autodenomina como filósofo e que é o mentor ideológico da família Bolsonaro.

Você também já deve ter lido muita coisa sobre este tal Ernesto Araújo. Mas não é só você. O “The Guardian”, considerado o mais respeitado jornal da Inglaterra e um dos mais respeitados do mundo, publicou reportagem nessa quinta (15) com o título: “Novo ministro das Relações Exteriores do Brasil acredita que mudança climática é uma trama marxista”.

Imaginem a repercussão desta matéria não só na Inglaterra, mas em todos os cantos civilizados do planeta.

Imaginem a vergonha que é para a diplomacia de carreira ter de explicar em cada canto do mundo que o novo chefe do Itamaraty pensa isso, mas que o Brasil é um país legal.

Imaginem o que é para o embaixador da Alemanha ter que explicar que o novo chefe do Itamaraty escreveu um artigo intitulado “Trump e o Ocidente”, no qual afirma que o nazismo é uma ideologia de esquerda.

“E, na crise espiritual dos anos 20, tomou forma um movimento que pioraria ainda mais a situação para o lado nacionalismo: o socialismo se dividiu em duas correntes, uma que permaneceu antinacionalista; e outra que, para chegar ao poder, na Itália e na Alemanha, sequestrou o nacionalismo, deturpou e escravizou o sentimento nacional genuíno para seus fins malévolos, gerando o fascismo e o nazismo (nazismo = nacional socialismo, ou seja, o socialismo nacionalista)”.

Sim, este trecho acima foi extraído deste artigo de Ernesto Araújo. Ele diz que o nazismo e o fascismo são o socialismo nacionalista. Exatamente da forma como você leu, caro amigo.

Enfim, os amadores são melhores que isso. O que temos no governo são vermes que usam a mentira como arma de propaganda. E a escolha de Ernesto Araújo talvez seja simbólica deste novo momento.

Ao escolhê-lo para chefiar o Itamaraty a família Bolsonaro (sim, a família, porque cada vez fica mais claro que os filhos governam tanto quanto o pai) dão um recado claro ao país e ao mundo. Eles não estavam brincando. Tudo que falaram a vida inteira foi a sério. E vão buscar implantar todas as maluquices que defendiam, por mais bizarras que sejam.

Ninguém poderá dizer que eles não tinham avisado. E o Brasil terá um governo da estupidez em estado bruto.

Esse é o recado claro e direto da indicação de Ernesto Araújo. Afinal, se há um lugar que não era necessário levar a bizarrice ao extremo era o Itamaraty. E se até lá prevaleceu essa lógica, imaginem no resto.

Podem “jair” se acostumando para o que vai vir por aí. Serão dias bizarros, movidos a ódio e estupidez.

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