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18 de fevereiro de 2016, 09h57

Assentado do MST passa em medicina, isso explica a fúria da Direita contra Dilma e Lula

Não há curso mais elitista que o de Medicina no Brasil. De acordo com o  professor Marco Akerman (FSP):  

“Em uma faculdade de Medicina, os professores titulares são quase todos brancos, não há professores negros. E quase todos são homens. Então eu vou me formando dentro de uma cultura machista, de uma elite branca. O ‘currículo oculto’ vai me conformando como alguém que não sabe o ponto de vista do negro, da mulher, do pobre. Você cria um ponto de vista próprio, então se dá o direito de fazer tudo”, explica Akerman (FSP), outro importante estudioso do tema. No artigo “‘Currículo oculto’: há que se evidenciar ainda mais a sua associação com preconceitos, abusos, humilhações e violências nas escolas médicas”, publicado em 2015, o professor define a expressão como “um conjunto de tradições, valores, normas, regras, rotinas que não estão escritas em nenhum documento da escola, mas que são transmitidas, conscientemente ou inconscientemente, entre professores e estudantes, e que podem gerar tanto um ciclo virtuoso quanto um ciclo vicioso de atitudes e ações que podem marcar o corpo e a alma dos estudantes durante o período escolar, ou para o resto do tempo de vida fora da escola”.

Agora, filhos de assentados do Movimento dos Trabalhadores sem Terra estão prestando ENEM e entrando no templo sagrado da fina flor da elite brasileira. Lembrem-se da reação do CNM e dos CRMs contra os Mais Médicos. Foi no Ceará o maior vexame que um grupo de médicas e médicos deram ao vivo e a cores, cuspindo e xingando médicos negros cubanos.

As 20 universidades públicas construídas por Lula e Dilma não têm mais nos seus cursos de elite apenas homens brancos bem nascidos. Elas passaram a receber homens e mulheres negros, filhos de pedreiro, filhos de lavadeiras, filhos de assentados.

Eles vêm das favelas e dos campos da luta pela reforma agrária, os filhos do Brasil invadem por direito espaços onde antes só poderiam adentrar como trabalhadores braçais e ousadamente se sentam nos bancos universitários. Essa elite herdeira da escravidão não pode admitir tamanha afronta.

Marcondes Guedes, filho de assentado é fruto de políticas públicas dos governos trabalhistas de Lula e Dilma, ele sempre estudou em escola pública, concluiu o ensino médio na unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) que fica na cidade do Crato, instituto este que faz parte dos quase 400 criados nos governos Lula e Dilma.  E Estudará numa universidade pública federal criada pelos governos Lula e Dilma. Há mérito deste jovem em aproveitar a oportunidade que governos reacionários nunca deram. Mas sem bons institutos de educação básica e sem a construção de universidade pelo interior do Nordeste e do restante do país, Marcondes não teria como se tornar médico.

Isso explica seu ódio lancinante contra Lula e Dilma e toda a articulação da Mídia ao Judiciário, passando pelo MP, adentrando os Conselhos Nacionais de profissões elitistas para, a todo custo, apear governos trabalhistas, destruir a moral e a memória de suas lideranças para nunca mais ousarem mexer na lógica da Casa Grande e Senzala. Não passarão!

Filho de assentados do MST fará medicina em universidade criada por Dilma

Por Luana Spinillo, da Agência PT de Notícias

09/02/2016

Marcondes Guedes nasceu e morou no Assentamento 10 de Abril, no Crato (CE), até os 15 anos. Ele vai estudar na Universidade Federal do Cariri

Filho de agricultores do MST fará medicina em universidade criada por Dilma

Foto: MST

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O sonho de ser médico acompanha o estudante Marcondes Guedes, de 19 anos, ex-morador do Assentamento 10 de Abril, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Crato (CE). Ele nasceu e morou no local até os 15 anos de idade. “Sempre quis fazer medicina. Desde criança esse é meu sonho, acho que por influência da minha mãe, que era agente comunitária de saúde”, conta o morador do município do sertão do Ceará.

No dia 18 de janeiro, Marcondes deu um importante passo para transformar o sonho em realidade.  Ele conquistou uma vaga no curso de Medicina na Universidade Federal do Cariri (UFCA), no Ceará. “Nesse momento, tenho a certeza que a minha vida mudou completamente. Ainda não consigo definir em palavras a emoção de ter passado no curso que quis desde criança e ainda por cima em uma universidade pública”, explica o jovem.

Criada pela presidenta Dilma Rousseff em 2013 com o objetivo de promover a inclusão social, o desenvolvimento da região e a interiorização do ensino superior, a UFCA surgiu do desmembramento da Universidade Federal do Ceará e tem, atualmente, cinco campi nas cidades de Juazeiro do Norte, Barbalha, Crato, Brejo Santo e Icó.

regional

“Escolhi a Universidade do Cariri por ser mais próxima de onde moro, mas também porque sempre passava por lá e via os prédios e dizia a mim mesmo que estudaria lá um dia. Acho que se não tivessem criado essa universidade aqui, seria muito complicado pra mim, dificultaria muito os meus estudos”, avalia Marcondes.

O futuro médico sempre estudou em escola pública e concluiu o ensino médio na unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) que fica na cidade do Crato. O deputado estadual e presidente do Partido dos Trabalhadores de Fortaleza (CE), Elmano Freitas, lembra a importância da criação do Instituto Federal do Crato pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Em seu percurso, Marcondes teve a oportunidade de estudar no Instituto Federal na sua cidade, que passou a existir graças a uma política do governo federal na época do ex-presidente Lula. A Universidade Federal do Cariri também não existia”, afirma o petista, que foi advogado do Assentamento 10 de Abril.

Para Freitas, a interiorização dos ensinos técnico e superior públicos, como acontece hoje no Crato, foi fundamental para o desenvolvimento local e é uma grande oportunidade para todos os jovens da região. “E isso foi feito pelos governos Lula e Dilma, que garantiram os Institutos Federais, o Enem, as Universidades Federais no interior”, completa Elmano.


Elmano Freitas deputado estadual PT CE (2)

“Mudança de possibilidade” – A conquista de Marcondes, na avaliação de Elmano Freitas, é resultado do esforço pessoal do estudante, mas também com as oportunidades criadas pelos governos do PT. Para o petista, o exemplo do adolescente serve de exemplo e inspiração para outros.

“É uma mudança da possibilidade de vida desses jovens e de suas famílias, porque acaba influenciando na renda familiar, na autoestima da família, serve de exemplo para a sua comunidade, para outros jovens da sua cidade, e mais especificamente essa possibilidade de fazer faculdade abre uma possibilidade e demonstra o acerto na política do PT de garantir oportunidade para todos”, ressalta.

O deputado, que como Marcondes também é filho de agricultor e teve uma infância simples no interior do Ceará, rememora os seus tempos de estudante. “Eu sou de uma geração que quando nós queríamos fazer faculdade tínhamos que ir para Fortaleza, e aí as famílias não tinham como manter seus filhos na capital, por isso que os jovens acabavam no máximo concluindo o ensino médio”, destaca.

“Marcondes é a cara dessa nova geração fruto desse trabalho dos governos Lula e Dilma. O exemplo que isso passa é: Lula pode ser presidente, Marcondes pode ser médico, portanto eu posso ser o que eu quiser ser”, finaliza Elmano.

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