Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

03 de março de 2011, 18h09

Cablegate: Alca e Alckmin e a Folha entendiada sem o Lula

Tem uma ‘brigada’ de três amigos traduzindo os documentos do Wikileaks desta semana sobre eleições 2006. São muitos telegramas, impossível para este bloguinho miúdo e os três brancaleones darem conta.

Mas nosso compromisso é ir traduzindo aos poucos, comentando, dando algum destaque para as coisas mais interessantes das longas ladainhas dos telegramas-fofocas dos embaixadores estadunidenses que lêem muito e reverberam demais o que diz a mídia velha.

Destaco dois trechos de dois telegramas. O primeiro de 18/08/2006, sobre o primeiro debate do primeiro turno no qual Lula não compareceu é divertido :) O segundo, destaco na íntegra o Comentário de telegrama confidencial de 28/03/2006 que mostra que, ao menos na análise do candidato do PSDB à eleição presidencial de 2006, a embaixada estadunidense não estava equivocada.

Nota do Maria Frô: Tradução de Tatiane Pires. Aqui a tradução de 3 telegramas, divirtam-se

75439 8/18/2006 18:50 06BRASILIA1744 Embassy Brasilia UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY

UNCLAS SECTION 01 OF 02 BRASILIA 001744 SIPDIS SENSITIVE SIPDIS E.O. 12958: N/A

Assunto: Brasil: Atualização sobre política interna, 14 a 18 de agosto de 2006
2. Lula não compareceu no primeiro debate da temporada eleitoral, em 14 de agosto. Todos os demais candidatos participaram: Geraldo Alckmin (PSDB), Heloisa Helena (PSOL), Luciano Bivar (PSL), Cristovam Buarque (PDT) e José Eymael (PSDC). Lula disse que só participaria de um debate se houvesse segundo turno; mas mudou de posição em 17 de agosto, dizendo que participará “quando isso for útil”. (Isso deve ser uma resposta às críticas da campanha de Geraldo Alckmin na tv.) O debate não causou grande reação da mídia ou da opinião pública, sendo caracterizado pela Folha de São Paulo como “entediante”.

 

58432 3/28/2006 13:25 06BRASILIA608 Embassy Brasilia CONFIDENTIAL

C O N F I D E N T I A L SECTION 01 OF 05 BRASILIA 000608 SIPDIS SIPDIS NSC FOR CRONIN TREASURY FOR OASIA – DAS LEE, FPARODI STATE PASS TO FED BOARD OF GOVERNORS FOR ROBITAILLE USDOC FOR 4332/ITA/MAC/WH/OLAC/JANDERSEN/ADRISCOLL/MWAR D USDOC FOR 3134/ITA/USCS/OIO/WH/RD/DDEVITO/SHUPKA STATE PASS USTR FOR SULLIVAN/LEZNY STATE PASS USAID FOR LAC E.O. 12958: DECL:03/28/16

14. Comentário: O fato de que um candidato como Alckmin, visivelmente favorável ao empresariado, tenha dificuldade em diferenciar sua agenda na política econômica da agenda de um presidente de esquerda é bastante ilustrativo de como há pouca incerteza na forma como a política econômica será conduzida no Brasil pós-eleições. Isso reflete em parte o consenso a favor da forte administração macroeconômica que a ainda presente na memória da super-inflação do passado ajudou a criar. Também mostra o quanto muitas reformas se tornaram institucionalizadas, particularmente as introduzidas pela lei de responsabilidade fiscal. Quanto da política microeconômica cada candidato será capaz de realizar ainda é uma questão em aberto, pois depende significativamente de alianças políticas após a eleição. Até o momento, a principal diferença na política econômica que interfere substancialmente nos interesses do governo dos Estados Unidos é a ênfase de Alckmin em trazer novamente as negociações para implementação da ALCA.