Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

25 de fevereiro de 2014, 10h39

Da série: #nãosomosracistas: Ator global preso. Seu crime? Ser negro!

Mais um caso absurdo de violência institucional no Brasil. Mais um caso absurdo de racismo institucional no Brasil.

Ter a cor da “suspeição” é o “crime” de 50% da população que todos os dias corre risco de ser confundida com ladrão, por uma polícia despreparada e contaminada pelo racismo e para a qual direitos civis, direitos humanos são coisas de ‘desocupados’ e não garantias constitucionais. 

Será que com um ator global preso, seu Ali Kamel continua com sua tese de #nãosomosracistas?

‘O crime de Vinícius é ser negro’, diz deputado Jean Wyllys

Por Eric Andriolo: Conexão Jornalismo]

24/02/2014

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) declarou nessa segunda-feira, 24, pelas redes sociais, sua solidariedade com o ator Vinícius Romão, que participou da novela ‘Lado a Lado’, preso desde o dia 17 por assalto após o que se suspeita ser um erro da polícia, motivado por racismo. O deputado disse que “o crime do Vinícius é ser negro, ter cabelo “black power”.

Jean Wyllys também disse que a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara avaliará esse caso já na primeira sessão, e que a Comissão de Direitos Humanos da ALERJ “também está empenhada em seguir os desdobramentos”. O ator já está com um pedido de liberdade provisória feito e aguardando a decisão.

Vinícius foi detido enquanto voltava para casa, no bairro carioca do Méier, após sair do trabalho, e foi reconhecido pela vítima por ser negro e ter cabelo parecido com o do assaltante. No momento da apreensão, o ator, que também é formado em psicologia, não tinha nenhum dos pertences roubados, e usava roupas diferentes das do suspeito do assalto.

O assaltante estava sem camisa e vestia uma bermuda vermelha, enquanto Vinícius vestia calça e camisa pretas e calçava tênis. Imagens de uma câmera de segurança no local do crime teriam flagrado o verdadeiro assaltante.

Mas o delegado Niandro Ferreira Lima, responsável pelo caso, disse que ainda não viu os vídeos, que poderiam inocentar o ator: “Não tive acesso a esses vídeos, que mostrariam que Vinícius estaria de calça jeans, enquanto o ladrão usava bermuda. Mas a vítima apontou Vinícius como o assaltante duas vezes, no local do crime e da delegacia”. Vinícius está preso desde o dia 17 na Casa de Detenção Patrícia Acioli.

Além disso, o reconhecimento feito pela vítima junto à polícia foi realizado informalmente no lugar do crime. Segundo testemunhas, a mulher que havia sofrido o assalto foi induzida pelos policiais militares, que a apressavam para reconhecer o ator como sendo o criminoso.

PAI NÃO CONSEGUE VISITAR VINÍCIUS

O pai de Vinícius, tenente-coronel da reserva do exército Jair Romão diz acreditar na inocência do filho, e defende que o reconhecimento que levou a sua prisão em flagrante foi ilegal:

– O policial falou: “Foi ele, não foi?”. A mulher, nervosa, acabou dizendo que sim. Meu filho não tem necessidade de roubar. Mora em apartamento próprio. Se ele estivesse errado, eu mesmo ia querer que pagasse – disse Jair.

O militar contou que já esteve três vezes na Casa de Detenção Patrícia Acioli, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, para tentar visitar Vinícius e levar para ele roupas, produtos de higiene e biscoitos. Mas não conseguiu por não ter a carteirinha de visitante.

Segundo revelaram amigos nas redes sociais, a polícia não teria dado a Vinícius o direito de telefonar para um parente ou advogado. Para estes amigos, que colocaram faixas denunciando o caso, além da confusão forçada pela pressão exercida pelos PMs para que a vítima fizesse o reconhecimento, haveria também um componente explícito de preconceito racial.

O ASSALTO

O caso ocorreu na segunda-feira, dia 17 de fevereiro. Como fazia diariamente ao sair do trabalho às 22 horas, Vinícius seguia pela rua Amaro Cavalcante, no Méier, quando foi abordado por uma viatura do 3º Batalhão da PMERJ (Méier). Os “militares”, sem maiores explicações, desceram armados do carro e mandaram o jovem parar e se deitar de bruços.

Pelo diálogo dos policiais, Vinícius entendeu o que se passava: ele tinha as mesmas características físicas de um suposto ladrão que havia atacado uma mulher: era negro, usava bermuda e tinha o cabelo black power. Levada até o local onde Vinícius havia sido rendido, a mulher, chorando muito, confirmou que Vinícius seria o ladrão. Nenhum objeto pessoal da mulher foi encontrado com Vinícius.

Leia mais sobre o caso:

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