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05 de agosto de 2009, 04h10

Eduardo Castro: Fogo na TV Brasil

Eu tive de roubar este artigo do blog do @emerluis: Nas retinas e por falar neste excelente blog, vá lá para ler outro artigo imperdível: A folha faz cada editorial de Aziz Filho.

Por: Eduardo Castro

05/08/2009

Orra, meu. Fogo na TV Brasil de novo, vindo dos jornalões paulistanos. É engraçado: paulistano que sou, sei bem que nós achamos que o que não é feito em ou pensando em São Paulo: a) é uma porcaria, b) não existe, ou c) não deveria existir. No caso de uma TV, isso fica ainda mais forte, porque o IBOPE que interessa para o mercado publicitário – e consequentemente, é divulgado – é só o de São Paulo. Também sei, por trabalhar aqui, que a TV Brasil tenta entrar pra valer em São Paulo desde antes de existir, mas simplesmente não conseguiu, até agora, ir além do cabo e do digital – e nenhum diligente defensor do dinheiro público nunca bateu na Anatel ou no Ministério das Comunicações para saber porque é tão complicado, caro e demorado abrir um canal analógico em São Paulo.

Também ninguém vai lá na emissora pública paulista, a TV Cultura – tão pertinho, né? – para perguntar porque ela é uma das poucas TVs educativas do país a não transmitir ao menos um telejornal da TV Brasil. Uma outra é a TVE do Rio Grande do Sul. A Rede Minas transmite. A TVE de Alagoas também, assim como a do Paraná, da Bahia, de Sergipe, do Piauí, do Ceará, do Espírito Santo, Pará…

Se a população do resto do país pode ou não ter o seu canal de TV – com os mesmos valores da programação da TV Cultura paulista, se o governo interfere ou não na linha editorial, se o cidadão deve ter o direito de ser tratado como tal ao sentar-se na frente do televisor – ou se deve apenas ser contabilizado e ser revendido em bloco aos anunciantes – sobre tudo isso, cada um tem o direito de dar sua opinião – mesmo que os fatos desmintam a tese. Mas vamos – orra, meu – disponibilizar todas as informações, para que cada um forme o seu juízo.

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O mesmo vale para o tão repetido “fracasso de audiência”. Damos, no telejornal Repórter Brasil Noite, perto de 1 ponto de média, diariamente, só no Rio de Janeiro. Isso soma mais de 250 mil espectadores – repito, só na TV aberta do Rio de Janeiro. Nessa conta não entram cabo, parabólicas e, principalmente, telespectadores das emissoras educativas que retransmitem – e participam, diga-se também – do nosso telejornal. Tem dia que é mais gente, tem dia que é menos – depende dos caminhos das índias, fazendas e esquadrões da moda, porque o Repórter Brasil entra no ar às nove da noite, bem quando começam os arrasa-quarteirão das emissoras comerciais. Mas, só no Rio, tv aberta, são entre 250 e 300 mil telespectadores pelo menos.

Nunca vi – porque não existe – uma pesquisa de audiência que, nesse horário, reuna as audiências da TV aberta e fechada, parabólicas e, principalmente, emissoras educativas estaduais. Às vezes alguém mede um desses aspectos. E surgem coisas estranhas. Exemplos: no carnaval deste ano, a TVE da Bahia deu entre 3 e 4 pontos de média ao apresentar o Repórter Brasil da Sexta-Feira Gorda à Quarta-Feira de Cinzas. No dia da final do Campeonato Sergipano da Futebol deste ano, a Aperipê TV transmitiu sozinha e ganhou de todas as outras, com média de 27 pontos. Detalhe: foi numa quarta-feira à noite, saindo do Repórter Brasil e passando por cima das novelas. No Pará foi algo na mesma linha. No 7 de Setembro do ano passado, a TV BRasil teve o segundo lugar de audiência (7 pontos de média) em Brasília, transmitindo Desfile Cívico. O primeiro lugar foi a Fórmula Um. Emissoras públicas, de vez em quando, dando audiência… e vale lembrar: tv pública não monta grade pensando em dar audiência. Mas monta a grade pensando. E não foge de audiência não.

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200 mil telespectadores em dia ruim (segundo os critérios do IBOPE, não os de conteúdo – que fique claro), só no Rio… para uma emissora de TV ainda é pouco. Mas vamos comparar com o “jornalões”. Eles imprimem – não necessariamente vendem – quase isso. Folha 296 mil exemplares. O Globo, 260 mil. Estadão, 215 mil. Mas há uma diferença que eles não citam. Em dezembro de 2007, a audiência do primeiro Repórter Brasil foi de 30 mil pessoas no Rio. No começo dos anos 2000, a Folha sozinha tirava um milhão de exemplares diários. As setas apontam nas direções opostas.

Mas voltando, meu. Privar o telespectador paulista de ver a TV Brasil é responsabilidade compartilhada. Até porque ele a financia com seus impostos, como qualquer outro. Mas não por acaso, é nos jornais paulistas que surgem as críticas mais fortes, frequentes e cheias de sabedoria. Não viram, e, por isso não gostaram. “Cabide de emprego”, bradam. Pois você sabe quem está na TV Brasil? Vou citar alguns dos não-concursados que nos ajudam de um modo ou outro – alguns ainda não estrearam. Aliás, a EBC é bem mais que a TV Brasil: tem Canal Integración, NBR, Agência Brasil, Rádio Nacional Rio, Rádio Nacional Brasília, Rádio Nacional da Amazônia, Rádio MEC AM, Rádio MEC FM… e a maioria dos funcionários é concursada. Coisa que você talvez também não soubesse.

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Alberto Dines, Anselmo Gois, Milton Coelho da Graça, Vera Barroso, Lúcia Leme, Helena Chagas, Tereza Cruvinel, Arnaldo César, Aziz Filho, Vinícius Doria, Monica Gugliano, Lincoln Macário, Luciana Barreto, Florestan Fernades Jr., Luciano Delion, Márcia Dutra, Cláudio Bojunga, Alberto Léo, Sérgio Maurício, Sérgio du Bocage, Roberto Dávila, Luis Carlos Azenha, Mariana Kotscho, Leda Nagle, Luis Nassif, Luis Carlos Azedo – só os mais conhecidos. Gente com anos de experiência em inúmeros veículos de comunicação. Gente com as mais variadas matizes e pensamenos políticos. Caso você não conheça algum dos nomes, assim de cara, vá lá no Google. Você vai achar referências sobre o trabalho, os prêmios, as idéias de todos e qualquer um deles. Ah! Já adianto que poucos fizerram carreira em São Paulo. Orra…

Eduardo Castro* é Gerente Executivo de Jornalismo da Empresa Brasil de Comunicação. É palmeirense, nasceu no Hospital Nove de Julho, cresceu no Cambuci, formou-se na Cásper Líbero e trabalhou 13 anos na Rede Bandeirantes de Rádio e TV, meu.

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