Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

01 de julho de 2011, 22h21

O imbroglio da fusão Pão de Açúcar Carrefour e BNDES

Li vários textos sobre o assunto e ainda não consigo entender que raios o BNDES faz nesse negócio. Pergunto-me ainda que cara de pau do Abílio Diniz levando Pão de Açúcar para tudo que é canto como se estivesse na crista da onda e agora precisa de ajuda de dinheiro público pra não ser engolido.

Sinceramente se há dinheiro pra salvar Pão de Açúcar e seu Abílio Diniz, se há dinheiro público para transformar Eike Batista no empresário do ano, queria saber porque não há dinheiro pra investir na Telebrás e de fato fazer a banda larga um serviço público de fato de de direito.

Ora é argumento do próprio governo que há prioridades no país, o ministro das comunicações, por exemplo, argumenta que entre saneamento básico e banda larga, o primeiro é mais importante. Seguindo esta lógica, salvar Abílio Diniz está em que grau de importância?
Tirem suas próprias conclusões:

Cut e Vannuchi na TVT

Texto do Eduardo Guimarães Com fusão dos supermercados

Texto do Brizola Neto: Da Polêmica que sai a Luz

Texto do Janio de Freitas O apoio do governo Dilma à formação de um oligopólio

Atualização: Fusão de hipermercados preocupa entidades de defesa do consumidor

Dilma foi informada antes sobre operação

Por Cristiano Romero, Valor Econômico, via blog do Alexandre Simionato Bueno

30/06/2011

A presidente Dilma Rousseff foi informada previamente da operação de fusão do Pão de Açúcar com o grupo francês Carrefour. Segundo uma fonte do Palácio do Planalto, a presidente pediu “cautela”, mas não se opôs ao envolvimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no negócio. Na prática, deu autonomia ao banco para analisar e participar da operação.
O BNDES se dispôs a entrar com € 2 bilhões (cerca de R$ 4,5 bilhões) na fusão, mas o governo avalia que esse valor pode diminuir, em função do interesse de outros investidores. Como o mercado reagiu bem ao anúncio do negócio, por entender, segundo análise oficial, o potencial de criação de valor, é possível que investidores queiram adquirir uma fatia, diminuindo a necessidade de aporte do banco estatal no fechamento da operação.
O BNDES vai participar da fusão por meio do BNDESPar, seu braço de participações acionárias. Desta forma, explica uma fonte, não haverá empréstimo subsidiado do governo. O BNDESPar responde hoje por 20% do ativo total do BNDES e por algo entre 50% e 60% do lucro do banco. Entrará na fusão como investidor, em condições de mercado.
O governo compara a união das duas redes de supermercado com a que resultou na criação da Inbev, o maior fabricantes de cervejas do mundo. Na fusão da brasileira Ambev com a belga Interbrew, em 2004, a gestão da multinacional passou a ser feita por executivos brasileiros. Segundo informações que chegaram ao Palácio do Planalto, o mesmo ocorrerá na fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour.
No negócio, o controle da operação brasileira continuará nas mãos do Pão de Açúcar, enquanto a participação deste no Carrefour, lá fora, será minoritária. Apesar disso, foi dito ao governo que a tecnologia de gestão de supermercado da operação global do grupo francês será, a partir de agora, brasileira. Este é um aspecto que, se confirmado pela associação, favorece a disposição do governo em apoiar a fusão.
O Carrefour foi um grupo inovador no passado. Depois que começou a ser controlado por fundos de participações acionárias (“private equity”, no jargão em inglês), passou a gerar “resultados medíocres”, segundo palavras de uma fonte do governo. A associação com o Pão de Açúcar, explica uma fonte oficial, cria oportunidade de melhorar a gestão do grupo francês e, assim, gerar bons retornos, por isso, o mercado teria reagido tão bem ao anúncio da fusão.
O governo avalia que o grau de concentração resultante da fusão – estimado em 32,2% – é normal. Nos Estados Unidos, o Walmart também detém 32% do mercado e, na França, o Carrefour tem 26%. Numa avaliação preliminar, não haveria superposição de lojas, mas complementaridade.
O governo acredita que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deverá aprovar a operação, mas pode obrigar os dois grupos a se desfazer de alguns supermercados. Não haverá fechamento de lojas, mas alienação a outros atores. “Se decidir determinar algum desinvestimento, o Cade vai mandar vender lojas. Fechar não faz sentido”, explicou uma fonte.
Por isso, em Brasília, não se acredita na hipótese de a fusão provocar destruição de empregos. “Demissões só ocorrerão no nível das diretorias”, brincou uma fonte familiarizada com o negócio. “Não tem emprego em jogo.”
A concentração no varejo, na avaliação oficial, não é necessariamente ruim. A avaliação é a de que o comércio varejista foi grande aliado do governo no processo de estabilização da economia deflagrado pelo Plano Real, em 1994. Os supermercados aprenderam que a inflação corrói a renda, obrigando-os a trabalhar com produtos mais populares e, portanto, com margem menor de lucro. Com a estabilização, tiveram ganhos de escala e passaram a trabalhar com produtos cada vez mais sofisticados e com margens maiores.
O governo também não vê com preocupação a possibilidade de a concentração no varejo dificultar a vida de fornecedores. Grandes supermercados têm, segundo avaliação oficial, mais força para negociar preços com a indústria. “É bom lembrar que, do lado da indústria, há oligopólios poderosos, como o dos produtos de higiene e limpeza”, observou uma fonte.
A reação do Casino, sócio francês do Pão de Açúcar, contra a fusão surpreendeu integrantes do governo, que a consideraram “muito agressiva”. Uma fonte oficial informou que o Casino, que teria o direito de assumir o controle acionário do Pão de Açúcar graças a acordo assinado em 2005, tem, em algumas condições, poder de veto dentro do grupo brasileiro.

Esse acordo não proíbe a prospecção de novos negócios por parte dos dois sócios. Um assessor graduado do governo lembra que, quando o Pão de Açúcar anunciou o interesse em comprar as redes varejistas Casas Bahia e Ponto Frio, o Casino não o questionou. “Como mexeu com o concorrente deles na França [o Carrefour], o pessoal ficou abespinhado”, comentou uma fonte.

Um outro aspecto da fusão favorece o apoio de Brasília ao negócio. Se nada fosse feito, o Pão de Açúcar passaria a ser controlado pelo Casino no próximo ano, deixando espaço livre para um único ator – o americano Walmart – comprar o Carrefour, que passa por dificuldades.

“Por que a gente não pode aproveitar essa oportunidade?”, indagou um integrante do governo em defesa do apoio ao negócio. “É uma oportunidade de realizar um ‘turn around’ (uma virada bem-sucedida) na empresa, com criação de valor, da mesma forma como ocorreu na Inbev.”

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Veja também:  Nos EUA, ao lado de Bolsonaro, Guedes fala em fusão entre Banco do Brasil e Bank of America

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