Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

04 de outubro de 2010, 08h57

PT nunca teve medo de campanha #ficaadica

Dois posts bem didáticos sobre os resultados eleitorais em todo o Brasil no blog do Favre e no Blog do Fabrício. O Fabricio optou por mostrar os resultados em tabelas, o Fabre em gráficos. Ambos postaram na madrugada e avisam que os posts podem sofrer alterações. Trago para cá o post do Fabrício.

Estou de luto por São Paulo, por muito pouco não conseguimos um segundo turno e temos pela frente mais quatro anos de desgoverno. Agora iremos para 20 anos de um governo neoliberal excludente. Vou aguardar na mídia velha uma análise sobre a ‘mexicanização’ do estado de São Paulo. Espero sentada?

Outra tristeza, até onde acompanhei ontem, Brizola Neto não se elegeu, Garotinho fez um estrago no Rio de Janeiro. Cadê o Ficha Limpa? Eu sempre achei este projeto fascista, todos os safados têm advogados e escapam, Roriz pôs a mulher na última semana de campanha pra disputar em seu lugar e conseguiu levar a eleição para o segundo turno no DF. #ficaadica puristas da política que acham que o PT inventou a corrupção.

O que temos a comemorar? A grande limpeza feita no senado,  uma pena ter sobrado ainda Agripino. Vamos a ela:

Antero Paes de Barros – FORA!

Artur Virgílio – ADEUS!

César Maia – BYE BYE

Germano Riggoto  – FORA!

Gustavo Fruet – ADEUS!

Heloísa Helena – FORA!

Heráclito Fortes – BYE BYE

José Carlos Aleluia – ADEUS!

Mão Santa – BYE BYE

Marco Maciel – FORA!

Raul Jungmann – ADEUS!

Rita Camata – FORA!

Tasso Jereissati – ADEUS!


Resultados e bancadas eleitas nas eleições de hoje

Por Fabrício Vasselai, do Blog Politicando

04/10/2010

Neste post vou publicar os resultados finais das eleições de hoje, para vários cargos. Como ainda faltam poucas urnas para serem apuradas (99,75% já prontas), pode haver uma ou outra alteração nos deputados federais eleitos. Especialmente, pode haver alguma alteração porque o TSE pode atualizar as informações oficiais de seus bancos de dados que poderiam estar defasadas quando consultei. Mas a rigor, já podemos saber os resultados com bastante precisão antes mesmo do TSE e da maioria dos portais divulgarem a consolidação final dos resultados. :D À medida que minhas tabelas forem ficando prontas, vou acrescentando resultados à medida que eu calcule, portanto este post sofrerá atualizações. Inclusive, claro, para fazer possíveis alterações que venham a ser necessárias. Vamos lá!



Uma breve olhada nesses dados já nos indica que a ida ao segunto turno foi construída em todas as regiões do país, com exceção do Nordeste. Foi apenas ali que Dilma Rousseff ultrapassou a marca dos 50% de votos. E mais: fora dessa região, conseguiu essa marca apenas nos estados do Amazonas e Tocantins. Nem mesmo no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde vinha tendo desempenho especialmente animador nas pesquisas, Dilma conseguiu uma vitória por mais da metade dos votos válidos. Por outro lado, tanto Marina quanto Serra tiveram desempenho superior ao que as pesquisas indicavam em todas regiões do país. Ela teve uma supreendente vitória no Distrito Federal e Serra conseguiu inverter as projeções e vencer em seu estado, São Paulo – desempenho que o auxiliou bastante no total de votos.


Sim, o PT parece que conseguirá a maior bancada do país, tal como em 2002. Em 2006, foi o partido mais votado para a Câmara, mas por conta de detalhes da regra de divisão de cadeiras, ficou com a segunda maior bancada, atrás do PMDB. Neste ano, voltará a ultrapassar e ficar em primeiro, segundo os dados disponíveis no TSE. De resto, aparentemente nenhuma grande alteração: os 4 grandes continuam sendo PT, PMDB, PSDB e DEM. Esse último está, como se vê, longe de ser extirpado da política.

A base aliada de um ainda provável governo Dilma garantiria maioria parlamentar na Câmara de Deputados Federais tranquilamente para a candidata. Ainda que dentre seus aliados sempre haja uma ou outra indisciplina, os dados de votações do Brasil desde 1989 até 2008, do Cebrap, mostram claramente que a disciplina de todos os partidos do Brasil fica geralmente acima dos 85% e na maioria dos partidos acima até de 95%. Então, é possível prever com alguma chance de acerto que só os partidos mais solidamente aliados já garantiriam uma bancada com 50%+1 mesmo que contivessem grandes números de parlamentares “traidores” da inclinação oficial da legenda. E até mais do que isso: conseguirá passar facilmente a maioria de 2/3 necessária para alteraões constitucionais. Já se o vitorioso for José Serra, a vida será bem mais dura. Embora ele também possa contar com partidos que se aliariam a qualquer lado, como o PMDB, PP, e outros, Serra não contaria com a maior bancada do país, do PT, e com boa parte dos aliados petistas mais sólidos. Não se diga que Serra não conseguiria maioria na Câmara, mas seria bem mais instável e difícil de costurar.

Quanto aos desempenhos individuais dos partidos, pode-se notar que o PT cresceu levemente em relação a sua bancada de 2006: 4,8%, praticamente uma estabilidade. Já o PMDB surpreende ao apresentar uma queda de 11%, apesar de apresentar a segunda maior bancada do país. Do ponto de vista de seu espaço na Câmara, ele não se beneficiou de ter feito parte do governo Lula como se esperava. Já o PSDB e DEM, da oposição, seguem em queda desde 2002: os tucanos diminuiram em quase 20% e o DEM foi reduzido em um terço de 2006 para hoje. Mas ainda mais chamativa é a diminuição de tamanho do oposicionista PPS, que reduz sua bancada em 45,% quase à metade, e chega perto dos patamares dos partidos realmente pequenos. Mas se houve queda bruca das bancadas oposicionistas e diminuição da bancada do aliado PMDB, mas com estabilidade do PT, isso só pode ter acontecido porque os vários partidos aliados de porte médio cresceram vigorosamente. Ou seja, aumenta o número de partidos que realmente fazem diferença na Câmara. O parlamento se torna mais fragmentado do que nunca, no sentido de divisão de poder entre várias forças, já que partidos antes medianos caminharam para alcançar o DEM e aproximarem-se até do PSDB. Isso fica evidenciado com uma simples olhada na tabela, mas também se calculamos o chamado número efetivo de partidos, que cresceu, de 8,5 em 2002 para 9,3 em 2006 e agora para 10,4



Com isso, uma possível base aliada de Dilma Rousseff, ainda franca favorita à vitória nas eleições presidenciais contaria no Senado com boa maioria. É claro que um ou dois senadores do PMDB podem fazer oposição a ela, tal como o catarinense Luiz Henrique eleito hoje. Mas também é verdade que poderá atrair o PTB e continuar contando com o PP. Nesse sentido, seria possível conseguir não apenas a maioria de 50%+1, mas até mesmo a maioria de dois terços necessária para alterações constitucionais. No caso de Serra eleito, a base ficaria um pouco menor: o PT seria compensado por DEM+PSDB, mas seria perdidos alguns aliados específicos do PT que serão difíceis de atrair. Dilma terá vida fácil no Senado, enquanto Serra não terá grandes problemas mas teria vida mais apertada.



Disponibilizo aqui os índices de abstenções (eleitores que não votaram) e de votos brancos e nulos na eleição presidencial: por estado e a média de cada região. Isso ajuda a verificar se houve algum recorte regional nas faltas, por exemplo. É possível perceber que as abstenções seguiram mais ou menos o mesmo padrão em todo o país, ficando um pouco menor apenas na região Sul e um pouco maior no Nordeste. Ou seja, a região de apoio mais forte a Dilma, o Nordeste, teve abstenção significativamente maior que o Sul, local onde é Serra quem teve seu apoio eleitoral mais forte. Outro dado que chama a atenção são as taxas de brancos e nulos muito maiores no Nordeste do que em qualquer das outras regiões. Os percentuais de brancos e nulos no voto para presidente em todos os estados do Nordeste foi muito discrepante do resto do país.

Mas será que esses dois fatores teriam influenciado a ocorrência do segundo turno? É fácil descobrir isso. Podemos simular com algumas continhas: suponha que a abstenção no Nordeste fosse igual à geral do país (8,64%) e também que os votos brancos + nulos nessa região tivessem representado em média apenas 17,5%, tal como no Sudeste, e não 19,16%. Isso colocaria 1.319.992 votos válidos a mais nas urnas do país. Agora, como saber para quem iriam esses votos nordestinos a mais? Mesmo que fossem todos para Dilma, o que nem seria razoável supor, ainda assim isso pouco a ajudaria: passaria de 46,9% dos votos válidos totais do país para 47,6%. Portanto, não é possível dizer que Dilma deixou de vencer no 1º turno por conta de abstenções ou votos inválidos no Nordeste.

Veja também:  Senadores preparam representação contra Flávio Bolsonaro no Conselho de Ética

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