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19 de outubro de 2010, 13h44

Revista do Brasil: Publicidade só para os outros?

Por: Por Paulo Donizetti, editor da Revista do Brasil
Publicado em 19/10/2010

As estatais que disputam fatias de mercado têm por hábito anunciar em todos os veículos. A Revista do Brasil, por seu público, merece mais atenção do mercado publicitário.

Primeiro por tratar-se de uma revista de pauta plural e diversificada, capaz de suprir carências dos mais diversos públicos por informação de qualidade; segundo, por ser uma das poucas publicações de orientação de esquerda com essa amplitude editorial, isto é, existe um público consumidor que não encontra no mercado editorial publicações à altura de sua dimensão; e terceiro, por se dirigir aos trabalhadores formais, de elevada escolaridade e com poder aquisitivo respeitável – ou seja, um consumidor qualificado.

Setores da imprensa no entanto, gostariam que a publicidade deveria ser direito exclusivo dos veículos que se dedicam a fazer oposição ao governo Lula – embora não se trate de uma “imprensa livre” e crítica, como se atribuem. Trata-se de uma imprensa partidária e deliberadamente oposicionista, como admitiu a executiva da Folha Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais. E que tem feito como nunca essa oposição de maneira hostil, sistemática e organizada, conforme revelaram os participantes do “Fórum Democracia e Liberdade” organizado pelo Instituto Millenium (http://bit.ly/tropa_de_elite), de onde saiu boa parte do receituário que guiou a pauta da velha imprensa.

Obviamente, incomoda-os a perspectiva de conviver com um ambiente de partilha mais equilibrada das receitas publicitárias – ainda longe de se estabelecer no Brasil, onde a estrutura de imprensa comercial é absurdamente concentrada e monopolista, das concessões públicas de rádio e TV à distribuição de produtos em bancas. Incomoda-os ainda conviver com o risco de uma concorrência saudável, na qual um púbico insatisfeito com a produção atual da mídia brasileira passe a encontrar outras opções no mercado editorial. Isso para ficar no campo da disputa pelo mercado editorial – sem falar na incômoda concorrência no campo das ideias, num mercado midiático dominado por interesses políticos e econômicos há bem pouco tempo exclusivo dos comunicadores do pensamento único que tentou governar a opinião pública.

O surgimento de novas opções no mundo da informação pode tornar o público mais exigente, e passar a exigir dos concorrentes mais qualidade do que os panfletos ideológicos e partidários que se têm visto nos últimos tempos – por exemplo, um jornal que se diz o maior do país publicar que a presidente da Apeoesp, Maria Izabel de Noronha, liderou greve “contra o governo Serra”, e não a favor dos maltratados educadores paulistas. Os donos da chamada “grande” mídia, que muitos, com efeito, já chamam de velha mídia, deveriam comemorar o prenúncio de uma concorrência saudável. O Brasil só terá a ganhar.

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