Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

06 de outubro de 2014, 13h48

São Paulo: túmulo das utopias, laboratório de ponta do capitalismo financeiro

Sinceramente, acho que se as periferias de Mano Brown, Sergio Vaz precisam de partidos salvadores da Pátria pra entenderem que a principal vítima da direita são sempre os pretos, pobres, sem água, as coisas vão muito, mas muito mal.

Eleitores pretos e pobres de Itaquera, São Miguel Paulista, Capela do Socorro, Pedreira, Ermelino Matarazzo e Cangaíba são sujeitos, responsáveis por suas escolhas. Sem consciência política, cada voto que sai desta mesma periferia que elegeu Serra senador, no lugar de Suplicy, devido ao tucano defender a diminuição da maioridade penal (como se ele pudesse fazer isso, mexer numa cláusula pétrea da Constituição Brasileira sem dar um golpe de Estado) volta em forma de bala que ceifa um adolescente negro nas periferias quase todo dia.
Laura também deixou de analisar o papel de uma mídia monopolizada, representante que é de seus interesses: o capital financeiro, que blindou durante 4 anos uma administração corrupta, violenta, irresponsável, que depois de vender o Estado, nadar em propinas, destruir a USP e a SABESP, nos matará de sede.

PS. Ao menos aqui em minha quebrada, mesmo no território do Túmulo das utopias, tem pobre pensante e com projeto político:

Índio,  ajudante de pedreiro relatando seus planos políticos:
“Eu ia tirar todas as crianças da rua, dar escola boa, professora ruim eu tocava pra fora, professora que deixa ‘minino tormentado’ numpresta.
Só ia ter carro quem provasse que podia andar como gente na rua, pra não matar os passantes.
Esses políticos que ‘fica’ falando que é pra prender minino, tão errado, minino tem de ir pra escola, aprender ser gente, que daí não fica revoltado fazendo maluquice. Os que tão nos tóxicos, eu colocava em hospital pra tratar, os velhinhos aposentados podiam cuidar dar exemplo, contar da vida, mostrar que a vida vivida vale a pena. Minino no tóxico é minino no caixão, na mira da polícia ou do dono da quebrada. Lugar de minino é aprendendo coisa boa, não com boca cheia de minhoca embaixo da terra.


Protesto da página do Facebook Esquerda Festiva

A necessária renovação do PT e o vexame no Estado de São Paulo

Por: Laura Capriglione, em seu Blog

06/10/2014

A eleição de Geraldo Alckmin (PSDB) em primeiro turno, a vitória acachapante de José Serra sobre Eduardo Suplicy, o inchaço da “bancada da bala”. É fácil falar sobre o conservadorismo dos paulistas. Acabo de pescar na rede essa análise: “Os paulistas ainda choram a derrota de suas oligarquias no movimento constitucionalista de 1932. Desde então, votaram contra Getúlio, ajudaram a derrubar Jango, votaram contra Lula e Dilma e continuarão votando contra qualquer candidatura progressista”.

Pois eu acho que o problema não são “eles”.

É preciso reconhecer. O Partido dos Trabalhadores jogou mal em SP. Fez um joguinho indigno naquele que é o seu berço histórico. Não se deve nunca esquecer que a mesma terra bandeirante que se bateu contra Getúlio foi onde renasceu o movimento estudantil que ajudou a por a pique a Ditadura Militar e foi onde surgiram as grandes greves operárias que criaram Lula e o próprio PT, além de um imenso cordão de movimentos sociais.

Se fosse um atavismo de São Paulo ser esse matadouro de utopias, não seria neste solo que nasceria o sonho de um país de todos, sem miséria. Nem Fernando Haddad teria sido eleito. Nem Marta ou Erundina teriam se criado.

No entanto, o PT, nesta eleição, teve a sua pior performance em anos.

E não foi no interior conservador que aconteceu a debacle. Foi no chamado cinturão vermelho da cidade de São Paulo.
Bairros pobres e históricos redutos do PT, como o Campo Limpo, na zona Sul, terra onde vive Mano Brown, por exemplo, ou Itaquera e São Miguel Paulista, na zona leste, sufragaram mais Aécio do que Dilma. Capela do Socorro, lar do sarau da Cooperifa, do poeta Sergio Vaz, também. E a Pedreira, Ermelino Matarazzo e Cangaíba.

Vai falar lá que aquela gente morena, parda e preta, que eles são a elite branca, fascista, oligarca ou coisa que o valha.
Quem errou foi o PT vacilão paulista.

Que, durante os últimos quatro anos, deixou o tucano Alckmin mais do que à vontade, mesmo sendo o governo dele um desastre completo. Veja a Suíça revelando as contas secretas dos operadores do escândalo do metrô; a Cetesb (estatal do próprio governo paulista) mostrando que a USP Leste foi implantada sobre um lixão tóxico; o Estado perdendo a guerra com o crime; as universidades estaduais falidas (o reitor imposto por Serra conseguiu o impossível: destruir a economia milionária da maior universidade paulista); as torneiras secas…

E cadê os deputados estaduais do PT para denunciar tantas mazelas e apresentar alternativas? Na maior parte dos casos, serviram apenas para reclamar que a base de apoio de Alckmin não deixa instalar nenhuma CPI. Queriam o quê?

O PT não disse a que veio. Mas o pior foi ter-se desplugado dos movimentos sociais. O PT de São Paulo, que sempre se aliou aos movimentos sociais, passou a ter medo deles… Por que é que até agora não foi usada a cláusula do Estatuto das Cidades que permite taxar até a quase expropriação os imóveis vazios por anos?

E o PT sem os movimentos sociais é como avião sem asa, Piu-piu sem Frajola, Romeu sem Julieta, Claudinho sem Buchecha.

O problema não é o PT dançar. O problema é o que vem junto. Para ficar em um exemplo: cresceu a chamada “bancada da bala”, aquele grupo dos deputados identificados com o slogan “Bandido Bom é Bandido Morto!”

O medo é sempre um mau conselheiro. Mas, sem alternativas, até mesmo um mau conselho é melhor do que nenhum.

Quando a “Revista da Folha” perguntou ao candidato petista Alexandre Padilha como ele pretendia combater o crime organizado, a resposta foi pífia. “Não pode permitir que facções tomem conta das penitenciárias e as transformem em escritório, com celulares à solta.”

Sabe de nada, inocente.

O PT fez uma campanha coxinha em São Paulo, para não assustar o eleitor tucano. Como resultado, ficou sem o eleitor tucano e sem o eleitor petista. E o entregou para um aventureiro como Paulo Skaf.

Até o Aloízio “Carisma Zero” Mercadante, em 2010, teve mais votos para o governo do Estado do que Padilha. Quase o dobro. 35,23% contra 18,20% do total de votos válidos.

Agora, é juntar os cacos e apostar na renovação dos quadros partidários, que terão de vir, como sempre foi, dos movimentos sociais. Um partido que substituiu José Dirceu, José Paulo Cunha e José Genoino, dirigentes históricos, como seus principais puxadores de votos para deputado, por um cara como o Andrés Sánchez, dirigente do Corinthians, não é muito diferente de outro, que tem o Tiririca. Puro oportunismo.

Sem essa renovação, o PT pode até ganhar a eleição presidencial, mas as dores de cabeça e os sustos ainda estarão logo ali na frente, esperando. Búúúú!