28 de fevereiro de 2018, 22h38

Bob Fernandes alerta para intimidação na coletiva do RJ: “Começa assim. Sabemos como termina”

Em comentário no 'Jornal da Gazeta', jornalista falou sobre a coletiva de imprensa sobre a intervenção no Rio e os riscos da militarização do país. "Muito mais do que incômodo é o Brasil, de novo, tornado laboratório de intervenção de tutela militar". Assista

Foto: Tânia Rego/ABr
O jornalista Bob Fernandes, em seu comentário semanal no ‘Jornal da Gazeta’ desta quarta-feira (28), falou sobre a intimidação a jornalistas ocorrida na coletiva de imprensa sobre a intervenção no Rio de Janeiro, realizada na terça-feira (27), e atentou para os riscos da militarização do país que está em curso. Confira em texto e vídeo, abaixo, a íntegra do comentário. Para quem ainda não entendeu, Braga Netto informou: “O Rio é um laboratório para o Brasil”. Braga Netto é o Interventor Militar no Rio. General, fardado. Seu Chefe de gabinete, Mauro Sinott, é general. Fardado. Secretário de Segurança, Fernandez Nunez...

O jornalista Bob Fernandes, em seu comentário semanal no ‘Jornal da Gazeta’ desta quarta-feira (28), falou sobre a intimidação a jornalistas ocorrida na coletiva de imprensa sobre a intervenção no Rio de Janeiro, realizada na terça-feira (27), e atentou para os riscos da militarização do país que está em curso.

Confira em texto e vídeo, abaixo, a íntegra do comentário.

Para quem ainda não entendeu, Braga Netto informou: “O Rio é um laboratório para o Brasil”. Braga Netto é o Interventor Militar no Rio. General, fardado.

Seu Chefe de gabinete, Mauro Sinott, é general. Fardado. Secretário de Segurança, Fernandez Nunez é general. Fardado.

Entrevista coletiva de Braga Nunes. Com uma ordem para os jornalistas…

…Perguntas deveriam ser por escrito, antes. Com e-mail e telefone do jornalista. Isso é intimidação. Leva à censura e autocensura. Começa assim. Sabemos como termina.

Dom Phillips, no inglês Guardian, e William de Lucca, no Twitter, expuseram ordem e formulário do “Laboratório”.

Ex-Chefe da Polícia Civil no Rio, Hélio Luz ensina:

-O problema do Rio não são os bandidos, são os mocinhos. Se ele recuperar o quadro de mocinhos, pode dar atenção real ao quadro de bandidos.

Hélio Luz define:

-Intervenção não pode se resumir a envio de capitão-do-mato à Senzala do Século 21.

Temer faz de conta presidir enquanto segue entregando o Poder para generais. E a Economia para o “mercadísmo”. Temer admitiu: pode ter intervenção militar em outros Estados.

E caiu Segóvia, o Diretor da Polícia Federal que Temer havia nomeado para fazer o serviço. Demitido pelo novo Ministro da Segurança, Raul Jungmann.

Quem manda em Jungmann é o General Etchegoyen. Que manda no Serviço de Inteligência da Presidência. E manda no Serviço de Inteligência do Brasil todo.

De linhagem secular no Exército, com ascendentes na história de ditaduras e sedições, Etchegoyen tem fome de Poder.

Débora Cadematrori, do jornal Zero Hora, registrou frase de Etchegoyen. Ladeado por Carlos Marun, aquele, o general disse:

-Nenhum de nós se incomoda de ser fotografado passando na imigração dos EUA para comprar enxoval do neto ou dos filhos. Ou para levar filhos e netos à Disney…

General: o incômodo é ser fotografo e filmado diante de um fuzil. E não na Disney, mas nas sempre oprimidas comunidades pobres e miseráveis do Rio.

Muito mais do que incômodo é o Brasil, de novo, tornado laboratório de intervenção de tutela militar.