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21 de dezembro de 2017, 16h55

Boeing negocia compra de parte da Embraer

Segundo o WSJ, as empresas estão aguardando a palavra do governo brasileiro, que tem poder de veto sobre uma possível venda

Segundo o WSJ, as empresas estão aguardando a palavra do governo brasileiro, que tem poder de veto sobre uma possível venda Da Redação* Pelo visto, até o final do mandato de Temer, muito pouco ou quase nada vai sobrar do patrimônio público brasileiro. Desta vez é a Embraer, terceira maior fabricante de aviões do mundo, com uma receita de R$ 21,436 bilhões em 2016, que está em negociando parte de seu capital. A interessada na parceria é a norte-americana Boeing, que fortaleceria sua atuação no mercado de jatos regionais. A informação é do jornal “The Wall Street Journal”, citando pessoas...

Segundo o WSJ, as empresas estão aguardando a palavra do governo brasileiro, que tem poder de veto sobre uma possível venda

Da Redação*

Pelo visto, até o final do mandato de Temer, muito pouco ou quase nada vai sobrar do patrimônio público brasileiro. Desta vez é a Embraer, terceira maior fabricante de aviões do mundo, com uma receita de R$ 21,436 bilhões em 2016, que está em negociando parte de seu capital. A interessada na parceria é a norte-americana Boeing, que fortaleceria sua atuação no mercado de jatos regionais. A informação é do jornal “The Wall Street Journal”, citando pessoas não identificadas familiarizadas com o assunto.

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A Embraer, terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, ganharia um ágio substancial além dos US$ 3,7 bilhões de valor de mercado, disse o jornal nesta quinta-feira (21).

Segundo o WSJ, as empresas estão aguardando a palavra do governo brasileiro, que tem poder de veto sobre uma possível venda —a “golden share” (ação especial) da Embraer pertence ao governo. Os principais acionistas são a Brandes Investments Partners (15,03%), BNDESPar (5,37%) e Oppenheimer Funds (4,8%). Outros somam 73,86% e 0,94% é de ação em Tesouraria.

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Para ajudar a atrair o governo, a Boeing estaria disposta a tomar medidas para proteger a marca, sua administração e empregos, disse uma das pessoas ao jornal. Também estruturaria um acordo de forma a proteger o interesse do governo no negócio de defesa da Embraer.

A Embraer é conhecida por fazer jatos regionais na faixa de 70 a 100 lugares, muito usados em rotas onde a demanda não garante o funcionamento de grandes aviões da Boeing ou Airbus. Essa é uma área de relativa fraqueza no portfólio da Boeing.

Especulações de que as duas empresas poderiam se associar de alguma forma começaram a circular em outubro, após suas principais concorrentes —a europeia Airbus e a canadense Bombardier— terem fechado uma parceria no programa de jatos CSeries.

A Boeing e a Embraer já trabalham em projetos, incluindo segurança de pistas de decolagem e combustíveis alternativos para jatos. A parceria se intensificou nos últimos anos para incluir o compromisso da Boeing com vendas conjuntas e a apoio à aeronave militar KC-390 da Embraer.

NÚMEROS

A Embraer teve uma receita liquida de R$ 21,436 bilhões em 2016. No terceiro trimestre deste ano, registrou lucro líquido de R$ 351 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 111,4 milhões do mesmo período do ano passado.

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À época do balanço, a empresa destacou a perspectiva desafiadora para 2018, pelo quanto a Embraer dependeria da sua nova linha de jatos de 70 a 130 passageiros, com a qual irá competir, com o modelo maior, com as aeronaves CSeries, da joint venture entre a Airbus e a Bombardier.

“A Embraer espera que 2018 seja um ano de transição, com a entrada em operação do primeiro modelo E2, o E190-E2, aliada a um mercado ainda estável nos segmentos de aviação executiva e de defesa e segurança”, disse a empresa.

Procurada pela Folha, a Embraer disse que em breve soltará um comunicado sobre o assunto.

*Com informações da Folha e Wall Street Journal

Foto: Divulgação

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