12 de novembro de 2018, 19h10

Boff visita Lula e revela mensagem: “Temos de mudar nossas formas de comunicação”

Em conversa com o amigo e teólogo, ex-presidente diz: “Precisamos criar escolas de formação política e o tema central que nós vamos sempre bater será a injustiça social no Brasil. Não vamos só falar de desigualdade, que é um tema neutro. Injustiça é um tema ético”

Foto: Reprodução

O teólogo, pesquisador e escritor Leonardo Boff visitou Lula na sede da superintendência da Polícia Federal, na tarde desta segunda-feira (12), em Curitiba, e trouxe um recado do ex-presidente: “Temos que retomar o trabalho nas bases, criar escolas de formação política e o tema central que nós vamos sempre bater será a injustiça social no Brasil. Não vamos só falar de desigualdade, que é um tema neutro. Injustiça é um tema ético. Injustiça é um pecado contra Deus e contra os filhos e filhas de Deus. Ele diz que nós temos de mudar nossas formas de comunicação com o povo, falar a linguagem dele”, relatou Boff.

“Eu deixei 40 exemplares de literatura de cordel, que ele adora, porque é a literatura popular. A ideia é usar esses meios populares, além das mídias sociais, pois o povo mesmo faz e entende. Nós vamos tirar lições boas dessa crise, vamos sair melhores, mais purificados, com as nossas propostas de políticas sociais. Nunca vamos abandonar esse diálogo, porque é um diálogo de vida ou morte, pois ele sabe o que é fome e miséria”, afirmou o teólogo.

Boff disse, ainda, que Lula está sereno na alma, embora indignado internamente. “Usaram muita mentira, muitas notícias falas, uma verdadeira máquina montada pelas igrejas e outros, de tal maneira que comprometeram a própria democracia. Ele sente um desafio para todos os partidos: nós temos de adotar estratégias para fazer campanhas diferentes, porque a realidade mudou. Entrou um fator novo, que são as mídias sociais, onde você pode dizer tudo, mentiras, verdades, falsificações, calúnias e fica por isso mesmo. Então, nós temos que enfrentar isso e nos defender de uma maneira sempre ética”.

Leonardo Boff também destacou que logo que chegou ficou surpreso com o que viu. “Nos abraçamos como velhos amigos. Ele está com um humor que me surpreendeu, diz que está com a alma tranquila, serena, embora, como sempre, indignado, porque acha que a condenação não tem nenhuma base material. Ele pensava que passando a eleição fosse liberado, mas não liberaram. Usam ele como troféu, para sustentar as mentiras que fizeram”.

Injustiça e mentiras

Boff ressaltou que o ex-presidente voltou a falar sobre sua prisão injusta. “Ele sabe que é tudo mentira e eles não sabem como sair. Então, segura o Lula preso para se autojustificar. Mas sabem que é mentira a questão do triplex, que não tem nada a ver com o sítio e que eles montaram uma narrativa que fez dele um chefe de quadrilha, mas não conseguem trazer nenhuma prova. Vasculharam todas as contas, não encontraram um centavo, nada que possa incriminá-lo. Então, ele repetiu: ‘Boff, faça o desafio novamente ao Moro, que se ele apresentar uma única prova sobre o triplex, eu quero ir na hora para a prisão’. Mas só que não apresenta, porque não tem. Apesar disso, ele está muito animado, cheio de humor, contou várias histórias e ria para caramba. Só saí porque os advogados me expulsaram”, completou Boff, também com bom humor.

Acompanhe depoimento de Leonardo Boff:

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