18 de novembro de 2018, 21h54

Bolsonaro acusa prefeitos de trocarem médicos brasileiros por cubanos

Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde estima 611 cidades que poderiam ficar sem nenhuma equipe médica na rede pública com o fim do contrato entre Cuba e Brasil.

Ainda ressentido e buscando minimizar a própria culpa pela saída dos 8,5 mil médicos cubanos do Programa Mais Médicos, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) afirmou neste domingo (18) que prefeitos “simplesmente” trocaram médicos brasileiros por cubanos, para ficarem “livres da responsabilidade”.

“Tem prefeitura que simplesmente mandou embora o seu médico para pegar o cubano, quer ficar livre da responsabilidade. A convocação é só em situações extraordinárias”, disse ao visitar a competição mundial de jiu-jitsu Abu Dhabi Grand Slam, no Parque Olímpico da Barra (zona oeste do Rio).

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O Mais Médicos sempre dá prioridade para brasileiros e estrangeiros com registro no Brasil, seguidos por brasileiros e estrangeiros formados no exterior que não tiveram seu diploma revalidado aqui. Por fim, se todas essas categorias não completarem o número de vagas oferecidas, são chamados os médicos cubanos.

Segundo a Confederação Nacional de Municípios, 1.478 cidades possuem somente médicos cubanos em suas equipes do Mais Médicos —mas podem ter médicos concursados ou conveniados de outros programas.

Já o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde estima 611 cidades que poderiam ficar sem nenhuma equipe médica na rede pública com o fim do contrato entre Cuba e Brasil.

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Escravidão
Bolsonaro também voltou a afirmar que os médicos cubanos fazem trabalho “análogo à escravidão”. “Você é mãe por acaso? Você sabe que é ficar longe dos filhos?”, perguntou a uma jornalista. “As cubanas estão aqui e estão longe dos seus filhos há mais de um ano”. Entretanto, em 2013, o então deputado criticou a vinda de “dependentes” dos profissionais de Cuba – assista ao vídeo aqui.

“Não podemos admitir escravos cubanos no Brasil e não podemos continuar alimentando a ditadura cubana”, disse. “É justo confiscar 70% do trabalho de uma pessoa? Não é justo.”

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