29 de junho de 2018, 17h53

Bolsonaro diz que não existe racismo no Brasil 

Pré-candidato à presidência disse que o fato de seu sogro ser negro não influenciou na hora de se relacionar com sua esposa e, por isso, não existiria racismo no país. Ironicamente, Bolsonaro é alvo de uma denúncia e pode se tornar réu no STF pelo crime de racismo 

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Durante uma palestra para uma plateia de milhares de pessoas em um hotel em Fortaleza (CE), na quinta-feira (28), o pré-candidato à presidência, Jair Bolsonaro(PSL), afirmou que não existe racismo no Brasil.

Para sustentar sua tese, ele usou como exemplo o fato de seu sogro ser negro. Somente o fato de a cor do pai de sua esposa não ter interferido em seu relacionamento significa, na cabeça do pré-candidato, que não há racismo no país.

“Aqui no Brasil, não existe isso de racismo, tanto é que meu sogro é Paulo Negão e, quando eu vi a filha dele, não queria saber quem era o pai dela”, disse.

Denunciado por racismo

Ironicamente, o político que acredita que não há racismo no Brasil é alvo de uma denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) exatamente pela prática do crime de racismo. A motivação da denúncia foi uma fala de Bolsonaro em abril do ano passado. Na ocasião, o pré-candidato falou de forma depreciativa sobre indígenas e quilombolas, chegando a afirmar que os quilombolas “não servem nem para procriar”.

Ele chegou a ser condenado a pagar R$ 50 mil por danos morais coletivo e, agora, a PGR pede, em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que a Corte aceite a denúncia por racismo. Se os ministros aceitarem o parecer, o que é bem provável, Bolsonaro se tornará réu pelo crime de racismo.

“Ultrapassa a liberdade de pensamento e transborda para o conteúdo discriminatório e preconceituoso dos grupos aos quais ofende”, afirmou a procuradora-geral, Rachel Dodge, em seu parecer.