12 de julho de 2018, 16h36

Bolsonaro é o personagem ideal para o neoliberalismo

Bolsonaro eleito é um personagem que os setores neoliberais, nacionais e internacionais, vão controlar facilmente. O próprio já deu exemplos disso

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Com a seleção eliminada da Copa do Mundo, podemos voltar as atenções para as eleições 2018 e o negócio é o seguinte: se a candidatura de Lula (PT) for impugnada – o que vai acontecer pois, é aí que fecha a conta do golpe – o terreno está livre para Bolsonaro subir a rampa do Palácio do Planalto. Ainda que tenhamos um segundo turno entre o candidato do PSL e do PT, será que o eleitorado, no geral, vai migrar para o voto útil contra o conservadorismo?

Porém, entre as urnas e os candidatos, existe o mercado/neoliberalismo. Bolsonaro eleito é um personagem que os setores neoliberais, nacionais e internacionais, vão controlar facilmente. O próprio já deu exemplos disso. Quem não se lembra do sujeito batendo continência para a bandeira estadunidense? No caso de um candidato do PT ou da centro-esquerda eleito, os detentores dos meios de produção não teriam tanto controle assim, ou melhor, teriam menos influência. Sem contar que, com a volta do PT ao poder central, marca também a volta das articulações políticas e econômicas com a América Latina, África e Ásia, o que não agrada EUA e Europa.

Mais um exemplo de que o neoliberalismo brasileiro fechou com o Bolsonaro foi o teatro que se deu em evento organizado pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI), onde Bolsonaro (PSL) foi aplaudido e Ciro Gomes (PDT) vaiado. Isso diz muita coisa: o ânimo golpista não arrefeceu; o setor empresarial quer ver mais direitos trabalhistas abaixo e, este mesmo setor dialoga com as ideias conservadoras e moralistas do candidato do Partido Social Liberal (PSL). As classes A e B vão com Bolsonaro. E as camadas populares podem ser contaminadas com a ausência de Lula.

Haddad (ou qualquer candidato apoiado pelo PT), Boulos, Manuela e Ciro até podem fazer um segundo turno com a extrema direita brasileira, mas dificilmente ganham. Destes nomes citados, o mais provável que vá ao segundo turno é o ex-prefeito da cidade de São Paulo, isto por conta da força e ramificação social do Partido dos Trabalhadores. Porém, ao contrário do que muita gente acredita o centro não vai com o PT e a tão sonhada união da esquerda vai acontecer no segundo turno em torno da candidatura do PT. A questão é: a esquerda terá poder para convencer as classes A e B a votarem nela?

Mas, e o Geraldo? A candidatura tucana já naufragou. Daqui até a eleição temos dois meses e o Alckmin permanece isolado. O Democratas está entre Ciro Gomes e Bolsonaro; o PSB está entre o PT e o PDT, os outros partidos estão entre o PT e o PSL. Ou seja, daqui para frente vamos acompanhar as costuras em tono do nome do PT, do PDT e do PSL. Nesta semana, Magno Malta (PRB-SC) declinou do convite de ser vice de Bolsonaro, mas o apoio de seu partido ao candidato Cristão ainda não está descartado.

Como bem escreveu Gilberto Maringoni, o mercado ligou o foda-se. Pouco importa se é homofóbico ou ditador, desde que as reformas sejam encaminhadas; e o que foi destruído em termo trabalhista, permaneça destruído… Como o Brasil fez a curva da barbárie, a candidatura de Bolsonaro é a ideal pois o PSDB ainda não conseguiu fazer a sua volta por completo à direita e ainda carrega a questão dos Direitos Humanos… Fizemos a curva da barbárie, da qual não sairemos tão cedo. Ou melhor, o único candidato que pode barrar isso é Lula, mas ele está preso e, se for solto, terá a sua candidatura impugnada. Ou as duas coisas.

A estratégia do Partido dos Trabalhadores de manter a candidatura do Lula tem se mostrado acertada, pois, quando o nome de Lula é retirado, mais de 30% declara que não vai votar, porém, esta ausência não beneficia a esquerda, mas apenas a direita, pois, Bolsonaro mantém a sua liderança, que pode aumentar no decorrer da eleição. Sabemos que a tal sonhada união da esquerda só vai acontecer a partir de uma sinalização do PT e isto se dá em definir um nome para concorrer à presidência no lugar de Lula. A estratégia de mudar o nome da candidatura na véspera pode ser arriscada demais e não produzir a almejada transferência de voto e a esquerda ficar fora do segundo turno, ou, no pior dos cenários o jogo pode ser liquidado no dia 7 de outubro com a vitória da extrema direita.

Bolsonaro é o passado militar não resolvido do Brasil e é por isso que ele encontra tanta ressonância na sociedade brasileira. Quando foi permitido, não fomos enfáticos na condenação das torturas e na condenação dos torturadores, estes foram perdoados. Portanto, não basta apenas unificar a candidatura da esquerda, é preciso dizer em alto e bom som os vários motivos e porquês da tragédia que será a eleição de Bolsonaro. A esquerda não tem que dizer que vai aumentar o número de policias nas ruas, mas o contrário; tem que dizer que vai revogar a reforma trabalhista e o corte de direitos, que vai investir pesadamente no ensino e saúde públicos e de que o mercado será sim controlado, caso contrário, o massacre será certo.