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07 de janeiro de 2019, 11h55

Bolsonaro é um homem do sistema que se apresenta como anti-sistema, diz Boaventura Sousa Santos

Para o sociólogo português, os cinco investidores globais que dominam os mercados financeiros são os principais propulsores das forças conservadoras no mundo.

Em entrevista a Lu Sudré e Pedro Ribeiro Nogueira, publicada na edição desta segunda-feira (7) do jornal Brasil de Fato, o sociólogo português Boaventura Sousa Santos afirma que Jair Bolsonaro foi eleito na esteira de um “circo reacionário de forças ultraconservadoras no mundo”, que apresentam “homens do sistema” como homens anti-sistema. “Emmanuel Macron é um que foi homem financeiro do Rothschild, um dos popstars do sistema. O Trump conseguiu fazer todos os seus negócios sem pagar impostos federais (tem que estar bem dentro do sistema) e o Bolsonaro foi 27 anos membro do Congresso. Portanto, se apresentam sempre como soluções...

Em entrevista a Lu Sudré e Pedro Ribeiro Nogueira, publicada na edição desta segunda-feira (7) do jornal Brasil de Fato, o sociólogo português Boaventura Sousa Santos afirma que Jair Bolsonaro foi eleito na esteira de um “circo reacionário de forças ultraconservadoras no mundo”, que apresentam “homens do sistema” como homens anti-sistema.

“Emmanuel Macron é um que foi homem financeiro do Rothschild, um dos popstars do sistema. O Trump conseguiu fazer todos os seus negócios sem pagar impostos federais (tem que estar bem dentro do sistema) e o Bolsonaro foi 27 anos membro do Congresso. Portanto, se apresentam sempre como soluções falsamente antissistêmicas e que procuram sobretudo polarizar a sociedade de uma maneira anti-democrática. Ou seja, transformam adversários políticos em inimigos. Com adversários a gente discute, os inimigos a gente destrói, elimina. E é exatamente essa política do ódio, política do sentimento”, disse.

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Para Boaventura, o mercado financeiro é, obviamente, o grande propulsor dessas forças conservadoras “porque o mercado financeiro está a mostrar o seu carácter anti-democrático”.

“Os mercados não votam. Os mercados não se perguntam qual é a reação dos cidadãos. Os mercados são cinco investidores globais que dominam os mercados financeiros. Isso é uma ditadura financeira. Incompatível com a democracia. Para isso, as suas medidas são de guerra social: uma transferência massiva de riqueza dos pobres para os ricos. O neoliberalismo é isto, não é outra coisa”.

O sociólogo diz que acredita que as forças da direita servem-se da democracia mas não servem à democracia e que o Brasil passou a ser um “laboratório”, a partir do golpe parlamentar sofrido pela ex-presidenta Dilma Rousseff (PT).

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“A conciliação de classes da qual falava o presidente Lula, foi enquanto ela serviu também os interesses da direita num momento de boom dos preços das commodities. No momento que esse boom passa, a direita não está nada interessada em conciliação de classes nem sequer está interessada na democracia, e portanto temos o golpe institucional aqui no Brasil onde talvez a presidenta mais honesta da América Latina foi impedida pelos políticos mais corruptos da América Latina”.

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Para o escritor, que acaba de lançar o livro “Esquerdas do mundo, uni-vos”, diz que o momento é de união do campo progressista.

“Eu acho que é fundamental é distinguir entre os que os separa e o que os une. O que os pode unir? Claro que os separa muita coisa, mas o que os une é travar essa extrema direita que vai empobrecer o país, que vai destruir a democracia em última instância. O meu grande desejo e toda a minha luta é que as esquerdas se unam e aprendam com as lições do passado e não se unam quando já é tarde demais”.

Leia a entrevista na íntegra.

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