24 de julho de 2018, 00h08

Bolsonaro: expor ou não expor?

"Ou acreditamos que as pessoas confrontadas com debates de ideias são capazes de formular juízos, ou paremos de ser hipócritas e defender formas participativas de controle social do Estado"

Foto: Guilherme Santos/Sul 21

Muita gente tem, consistentemente, argumentado que não deveríamos replicar – mesmo que criticamente- as absurdas posições de Bolsonaro, porque isto lhe daria mais ibope e o “algoritmo e etc e tal…”

Respeito mas, discordo desta tese.

Isto significa, a meu modo de ver, uma crença no condicionamento operante como fator absoluto.

Sem desconsiderar que o marketing, a imagética e a repetição têm um papel importante na formação de percepções, acreditar que este poder é absoluto é o mesmo que crer que as pessoas são tábulas rasas e infinitamente manipuláveis.

É o que postula o pensamento conservador quando fala de militantes manipulados ou dos “pão com mortadela”, por exemplo.

Ou seja, é a descrença na capacidade humana de tomar decisões e pensar criticamente.

Ora, se para a direita isto é a justificativa de seu programa de menos democracia; para a esquerda democrática, é um contra-senso.

Ou acreditamos que as pessoas confrontadas com debates de ideias são capazes de formular juízos, ou paremos de ser hipócritas e defender formas participativas de controle social do Estado.

Por isto, é importante expor e confrontar a posições neofascistas de Bolsonaro.

Devemos trazer este debate para o nosso terreno: o da racionalidade e o da disputa das ideias. Aqui, ele perde.

“Porque os fantasmas temem a luz”.