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24 de setembro de 2013, 16h15

Bolsonaro ficará novamente impune?

O blogueiro Altamiro Borges analisa a agressão contra o senador Randolfe Rodrigues e afirma que o “cretinismo parlamentar” até hoje impediu que o polêmico deputado sofresse represálias por seus discursos e gestos violentos

O blogueiro Altamiro Borges analisa a agressão contra o senador Randolfe Rodrigues e afirma que o “cretinismo parlamentar” até hoje impediu que o polêmico deputado sofresse represálias por seus discursos e gestos violentos 

Por Altamiro Borges, no Blog do Miro 

Em visita da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro ao antigo prédio do DOI-Codi, Bolsonaro se desentende com o senador Randolfe Rodriguez (Foto: Tânia Rêgo/ABr)

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), famoso por seus discursos e ações fascistóides, voltou a extrapolar. Ele agrediu fisicamente o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), dando-lhe um soco no estômago. O grave incidente ocorreu nesta segunda-feira (23), quando uma comitiva da Comissão da Verdade visitava a antiga sede do centro de torturas do DOI-Codi – onde hoje funciona o 1º Batalhão de Polícia do Exército, no Rio de Janeiro. O ex-militar tentou impedir a realização da missão oficial e voltou a abusar da violência. Em nota, tanto o PSOL quanto a Comissão de Direitos Humanos do Senado já anunciaram que vão representar contra o deputado por quebra do decoro parlamentar.

Como já é de seu costume, o valentão agora se faz de vitima. Ele garante que foi impedido de entrar no prédio do antigo órgão da repressão pelo senador João Capiberibe (PSB-AP): “Foi uma confusão, mas não foi provocada por mim. Ele que tentou me barrar. Por que não posso entrar no quartel? Sou deputado federal”. Várias testemunhas e vídeos postados na internet desmentem a versão do conhecido provocador. Diante do anúncio de que poderá ser punido por quebra do decoro, Jair Bolsonaro ainda faz chacota. “Vou ficar sem dormir até o carnaval do ano que vem”, ironizou, lembrando que já foi alvo de inúmeras representações por homofobia e racismo e que nunca foi punido.

De fato, a diplomacia parlamentar – também batizada de “cretinismo parlamentar” – até hoje impediu que este fascistóide sofresse represálias por seus discursos e gestos violentos. Não é a primeira vez que ele apronta das suas. Ele sempre defendeu descaradamente o golpe, a ditadura e as torturas – ontem mesmo afirmou que “tortura é uma arma de guerra. Pratica-se no mundo inteiro. Deve ter havido um tratamento mais enérgico aqui sim [no DOI-Codi]. Eles mereciam, se houve, porque queriam impor o socialismo”. Jair Bolsonaro também nunca escondeu seu machismo tacanho, seu ódio homofóbico e outros preconceitos doentios. Mesmo assim, seus gestos e atos continuam sendo tolerados.

Em 2011, o deputado sofreu representação por ofensa moral a então senadora Marinor Brito (PSOL-PA), que criticou seus panfletos “antigays”. Na ocasião, ele reagiu no seu estilo agressivo: “Já que está difícil ter macho por aí, eu estou me apresentando como macho… Ela deu azar duas vezes: uma que sou casado e outra que ela não me interessa. Ela é muito ruim”. Pouco depois, ele voltou a ser questionado por suas declarações racistas no programa CQC, da Band. Questionado pela cantora Preta Gil sobre o que faria se descobrisse que seu filho estava apaixonado por uma negra, ele respondeu: “Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro este risco. E meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o seu”.

Nos dois casos, os processos foram arquivados. Segundo a jornalista Najla Passos, do sítio Carta Maior, “atualmente, dois processos contra Bolsonaro correm na Corregedoria da Câmara, ambos em sigilo. Um deles resulta da denúncia encaminhada no mês passado por mais de 20 entidades de defesa dos direitos humanos, encabeçadas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A motivação foi o vídeo divulgado na sua página na internet em que Bolsonaro editou falas de participantes de audiências públicas na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, presidida pelo seu parceiro, Marcos Feliciano (PSC-SP), para acusá-los de ‘pedofilia’ ou de ‘incitação da homossexualidade infantil’”.