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11 de janeiro de 2019, 10h59

Bolsonaro reescreve tuíte e tira “a era do indicado sem capacitação técnica acabou”

Presidente mudou de ideia ao apresentar o currículo de seu “amigo particular”, Carlos Victor Guerra Nagem, nomeado para o cargo de gerente executivo da Petrobras

Foto: Reprodução Jair Bolsonaro resolveu retirar um trecho de um tuíte, no qual elogia a escolha do “amigo particular”, Carlos Victor Guerra Nagem, para o cargo de gerente executivo de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras. Apesar de ser uma posição considerada de segundo escalão na empresa, fica abaixo apenas da diretoria, com salário em torno de R$ 50 mil. A princípio, Bolsonaro tuitou: “A seguir o currículo do novo Gerente Executivo de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras: a era do indicado sem capacitação técnica acabou, mesmo que muitos não gostem. Estamos no caminho certo!”. Fórum terá um jornalista...

Foto: Reprodução

Jair Bolsonaro resolveu retirar um trecho de um tuíte, no qual elogia a escolha do “amigo particular”, Carlos Victor Guerra Nagem, para o cargo de gerente executivo de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras. Apesar de ser uma posição considerada de segundo escalão na empresa, fica abaixo apenas da diretoria, com salário em torno de R$ 50 mil.

A princípio, Bolsonaro tuitou: “A seguir o currículo do novo Gerente Executivo de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras: a era do indicado sem capacitação técnica acabou, mesmo que muitos não gostem. Estamos no caminho certo!”.

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A incoerência foi tanta, pois ele se referia à nomeação de um “amigo particular”, como o próprio Bolsonaro define, que o tuíte foi modificado em seguida, suprimindo o trecho que diz “a era do indicado sem capacitação técnica acabou”.

O novo tuíte ficou assim: “A seguir o currículo do novo Gerente Executivo de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras, mesmo que muitos não gostem, estamos no caminho certo!”. A mudança talvez indique que o “amigo particular” talvez não seja tão capacitado para o cargo.

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Outros casos

No governo de Jair Bolsonaro há outros exemplos de nomeações de pessoas com capacitação técnica no mínimo duvidosas para cargos importantes. Um dos casos mais emblemáticos é o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex), Alex Carreiro, envolvido em uma polêmica demissão que provocou mais uma crise no governo.

Carreiro, apesar de ter sido nomeado para uma posição ligada ao comércio exterior, não tem o domínio da língua inglesa e nem da área, requisito básico para o cargo.

Outro exemplo é o de Antonio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente Hamilton Mourão, nomeado para ser assessor especial do presidente do Banco do Brasil. Com o novo cargo, ele mais que triplicará seu salário, passando a ganhar R$ 36,3 mil por mês. A nova função equivale a um cargo de executivo.

E não para por aí. Rubem Novaes, agora presidente do Banco do Brasil, coleciona posts machistas e não acredita em aquecimento global: “A redução da temperatura média dos oceanos e o aumento do gelo antártico nos fazem, no mínimo, ficar com um pezinho atrás. Há muitos interesses por trás do catastrofismo climático. É muita grana que rola para estas ONGs ecochatas e há muita gente vivendo disso”, diz um dos posts do executivo.

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Sem falar nos ministros Ernesto Araújo, Damares Alves e Ricardo Vélez Rodríguez, que já demonstraram inúmeras vezes que têm ideias e posturas no mínimo incompatíveis com a importância do cargo que exercem.

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