27 de março de 2018, 16h43

Braço direito de Dorothy Stang, padre Amaro Lopes é preso no Pará

O religioso, uma das principais lideranças da Pastoral da Terra e da luta pelo assentamento de sem terras e regularização fundiária, foi preso sob acusações que vão de extorsão até assédio sexual; mídia internacional já falou que Amaro é vítima de difamação para deslegitimar sua ação social

Foto: Reprodução/Espaço Aberto
Foi preso preventivamente na manhã desta terça-feira (27), na cidade de Anapu (PA), o padre José Amaro Lopes da Silva, uma das principais lideranças da Comissão Pastoral da Terra na região. Amaro era o braço direito da missionária norte-americana Dorothy Stang e considerado seu “sucessor”. Stang foi executada a mando de fazendeiros em 2005. Em uma operação com apoio da Polícia Militar, a Polícia Civil realizou busca e apreensão em sua residência e em sua paróquia. De acordo com as investigações, ele é suspeito de crimes de extorsão, ameaça, esbulho possessório e assédio sexual. O religioso foi ouvido pela manhã...

Foi preso preventivamente na manhã desta terça-feira (27), na cidade de Anapu (PA), o padre José Amaro Lopes da Silva, uma das principais lideranças da Comissão Pastoral da Terra na região. Amaro era o braço direito da missionária norte-americana Dorothy Stang e considerado seu “sucessor”. Stang foi executada a mando de fazendeiros em 2005.

Em uma operação com apoio da Polícia Militar, a Polícia Civil realizou busca e apreensão em sua residência e em sua paróquia. De acordo com as investigações, ele é suspeito de crimes de extorsão, ameaça, esbulho possessório e assédio sexual. O religioso foi ouvido pela manhã na sede da Superintendência Regional da região do Xingu, em Altamira, e depois transferido para um presídio local, onde fica detido à disposição da Justiça enquanto a investigação está em andamento.

Advogados da Comissão Pastoral da Terra acompanham o caso, mas a entidade ainda não se pronunciou sobre a prisão.

Padre Amaro é considerada a mais influente liderança da região marcada por conflitos relacionados à terra e propriedade. Ferrenho defensor da regularização fundiária, da reforma agrária e dos assentamentos de sem terras e população carente e historicamente alvo de ameaças, o religioso já foi, inclusive, tema de matéria no jornal norte-americano Financial Times destacando que ele seria vítima de uma campanha de difamação, em que crimes eram atribuídos ao padre, com o objetivo de deslegitimar sua ação social e seu enfrentamento aos fazendeiros locais.