Brasília comemora centenário de Athos Bulcão com sessão solene e exposições
02 de julho de 2018, 10h07

Brasília comemora centenário de Athos Bulcão com sessão solene e exposições

Athos Bulcão costumava dizer que não assinava sua obra porque a obra já era a sua assinatura e o observador o identificaria ao observá-la

Da Agência Senado, com informações da Fundação Athos Bulcão

Hoje, o Brasil comemora o centenário do nascimento do artista Athos Bulcão. Ele está em toda a parte, sobretudo em Brasília. Suas obras inconfundíveis estão em vários pontos da cidade, inclusive dentro do próprio Congresso Nacional.

Em homenagem ao centenário de nascimento do artista, deputados e senadores participarão de uma sessão solene nesta terça-feira (3), às 11h, no Plenário do Senado Federal. Além da sessão, o Senado e a Câmara dos Deputados realizam uma série de ações em homenagem ao artista.

Nascido no Catete (RJ), em 1918, Athos passou sua infância em uma casa ampla em Teresópolis. Perdeu a mãe antes dos cinco anos e foi criado com seu pai, com o irmão, 11 anos mais velho, e com suas irmãs adolescentes, que substituíram a mãe. Com o interesse que sua família tinha pela arte, as irmãs o levavam frequentemente ao teatro, ao Salão de Artes, aos espetáculos das companhias estrangeiras, à ópera e à Comédia Francesa. Aos quatro anos, Athos ensaiava desenhos sem, no entanto, chamar a atenção da família.

Ele chegou às artes graças a uma série de acidentais e providenciais lances do acaso. Foi amigo de alguns dos mais importantes artistas brasileiros modernos, os maiores responsáveis por sua formação. Carlos Scliar, Jorge Amado, Enrico Bianco, Burle Marx, Milton Dacosta, Vinicius de Moraes, Alfredo Ceschiatti, Manuel Bandeira entre outros.

Aos 21 anos, os amigos o apresentaram a Candido Portinari, com quem trabalhou como assistente no Mural de São Francisco de Assis na Pampulha e com quem aprendeu muitas lições importantes sobre desenhos e cores. Antes de pintar, planejava as cores que usaria e acreditava fervorosamente que o artista tem de saber o que quer fazer. Athos não acreditava em inspiração, mas sim em talento e muito trabalho.

Painel Athos Bulcão no Senado. Foto: Lia de Paula

Programação

Outras atividades foram programadas para marcar o centenário do artista. Está prevista uma uma mostra com 15 quadros, que apresentam seus projetos originais, gravuras e parte dos azulejos de algumas de suas grandes obras. A cerimônia de abertura será realizada na terça-feira (3), às 10h, na Senado Galeria. A exposição, em parceria com a Fundação Athos Bulcão, ficará aberta ao público até o dia 29 de julho.

A Visitação Institucional do Senado elaborou um roteiro que retrata a vida e obra de Athos Bulcão, por meio dos trabalhos presentes no Palácio do Congresso Nacional, abordando assuntos referentes à história da arte, arquitetura e história das personalidades de Brasília. A Visita Inaugural ocorrerá também na terça-feira, às 14h30 e poderá ser agendada durante todo o mês de julho pelo site www.congressonacional.leg.br

Uma mostra com as releituras das obras de Athos Bulcão, feitas pelo servidor do Senado Fernando Ribeiro, será exibida a partir do dia 3 de julho, terça-feira, no Espaço Ivandro Cunha Lima. A mostra inaugura o Projeto Artistas no Congresso, que convida artistas para compartilhar seus olhares sobre as obras de arte do Congresso Nacional.

E peças curtas produzidas especialmente para o centenário do artista serão veiculadas durante a programação da TV Senado.

Obras

Athos Bulcão costumava dizer que não assinava sua obra porque a obra já era a sua assinatura e o observador o identificaria ao observá-la. Quem conhece o trabalho do artista realmente o identifica com facilidade nas formas geométricas das paredes azulejadas e nos painéis em madeira também em formato geométrico.

Um painel vermelho em madeira com figuras geométricas do artista plástico compõe uma parede divisória do Salão Nobre do Senado, onde são realizadas diversas solenidades de cunho cultural. Na sequência, quem entra no Salão Negro pode observar a parede em mármore branco, intercalada por desenhos retangulares em granito negro, também de sua autoria.

O Senado recebeu uma parede inteira azulejada em branco e azul que levam a “assinatura” do artista. Em dois andares, a parede compõe o jardim de inverno da sala da Presidência e se estende até a sala grande da Secretaria da Mesa.

Outra obra chama a atenção dos visitantes: são dois painéis vermelhos em madeira que ocupam as paredes laterais em frente à Ala Senador Teotônio Vilela, que abriga vários gabinetes de senadores. Um efeito de luz e sombra distingue as formas que o artista imprimiu às obras.