Rodrigo Vianna

12 de abril de 2012, 18h45

2 mil pessoas participam de ato em defesa do SUS

Do SPressoSP: Movimentos sociais, pastorais, usuários, trabalhadores e conselheiros de saúde, realizaram uma manifestação na manhã desta terça-feira, 10, em comemoração ao dia mundial da saúde, celebrado no dia 7 de Abril. Reunidos na Praça da Sé, pessoas de vários pontos da cidade, e muitas vindas do interior, reivindicaram a plena instalação do SUS em São Paulo e o fim do processo de privatização do sistema.

Ato em defesa do SUS mobiliza duas mil pessoas na Praça da Sé
Por Rodrigo Gomes, do SPressoSP

Movimentos sociais, pastorais, usuários, trabalhadores e conselheiros de saúde, realizaram uma manifestação na manhã desta terça-feira, 10, em comemoração ao dia mundial da saúde, celebrado no dia 7 de Abril. Reunidos na Praça da Sé, pessoas de vários pontos da cidade, e muitas vindas do interior, reivindicaram a plena instalação do SUS em São Paulo e o fim do processo de privatização do sistema.

Um mar de diversidade. Assim poderia ser chamado o encontro das pessoas que se reuniram na Sé, desde as 9h da manhã. Eram idosos, jovens, enfermeiras, sindicalistas, padres, todos empunhando bandeiras e faixas que davam o tom geral do ato: “O SUS é nosso, ninguém tira da gente”. No carro de som, representantes das mais de 60 organizações que assinaram a carta aberta do protesto se revezavam em falas de denúncia e os vereadores Major Olímpio (PDT) e Alfredinho (PT) cobraram a atenção do Prefeito Gilberto Kassab (PSD) para a situação da saúde no município.

De acordo com Luís José de Souza, da União de Movimentos Populares de Saúde, “o ato tem a intenção de cobrar a prefeitura para que cumpra as diretrizes do SUS e exigir o fim do processo de privatização da saúde.” Luís disse que a administração da saúde em São Paulo está dividida entre o município e as Organizações Sociais de Saúde (OSS). “Gera-se uma discrepância no sistema, com uma parte bem estruturada, com bons salários, equipes completas [administrada por OSS] e outra parte sucateada, com péssimas condições de trabalho e faltando profissionais [administração direta]”, complementa Luís.

Não ficaram de fora das falas os problemas básicos da rede de saúde pública, como falta de médicos, o insuficiente número de UBS, demoras em consultas, entre outros problemas. Mas, de acordo com Luís, isso será resolvido com a pressão da população pelo cumprimento das diretrizes do SUS e pelo fim das privatizações. “Desde o início as OSS recebem mais dinheiro do que as UBS para funcionar, mas não aplicam todos os recursos. Além disso, a cidade de São Paulo não assinou o Pacto da Saúde com o Governo Federal, por intrigas políticas, reduzindo os investimentos e programas no município.”

Para o Coordenador da Pastoral da Saúde em Santana, Paulo Moura, a Prefeitura fez uma opção pelo abandono do trabalho de prevenção. “As AMAs recebem recursos maiores que as UBS, mas não existe acompanhamento do paciente. Elas não mantém prontuários, realizam apenas o atendimento e mandam o paciente para casa.” Paulo diz ainda que “não está havendo fiscalização, pois a Secretaria de Saúde se nega a empossar os Conselheiros Municipais de Saúde eleitos há quase um ano. Assim se impede a população de fiscalizar a gestão da saúde na cidade.”

Paulo lembrou, também, que o Governo do Estado não apoiou a ida dos delegados de São Paulo para a 14ª Conferência Nacional de Saúde, no fim de 2011. “Isso demonstra que ambos os governos em São Paulo não querem a sociedade participando nas decisões, nem fiscalizando suas ações”, completou. Ele comentou ainda que o ponto de acordo entre a União de Movimentos Populares de Saúde e as Pastorais da Saúde é a Campanha da Fraternidade deste ano, que tem como tema Fraternidade e Saúde Pública, sob o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”.

Como finalização do ato, os manifestantes saíram em marcha pelo centro velho da capital. A Polícia Militar não apresentou efetivo nas imediações da manifestação e a mesma foi acompanhada apenas por carros da CET. A caminhada seguiu até a Praça do Patriarca, ao lado da sede da Prefeitura de São Paulo, onde o grupo fez um apitaço e colocou suas faixas de frente para o prédio da administração municipal. Nenhum membro da Prefeitura apareceu para se manifestar ou conversar com os presentes.