escrevinhador

por Rodrigo Vianna

07 de fevereiro de 2012, 15h26

Ação na Cracolância: guerra e teatro

Do SpressoSP: O crack e a Cracolândia foram os temas da primeira mesa do lançamento do SPressoSP. O debate reuniu o Padre Julio Lancelotti, a coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública, Daniela Skromov de Albuquerque, e o vereador Jamil Murad (PC do B). Os convidados abordaram a recente operação policial, conhecida como “Sufoco”, que expulsou os usuários de droga na região da Nova Luz.

Especialistas condenam Operação Sufoco na Cracolândia
Por Igor Carvalho, no SpressoSP

O crack e a Cracolândia foram os temas da primeira mesa do lançamento do SPressoSP, que ocorreu neste sábado, 4, na Casa Fora do Eixo de São Paulo, no Cambuci. O debate reuniu o Padre Julio Lancelotti, a coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública, Daniela Skromov de Albuquerque, e o vereador Jamil Murad (PC do B). Os convidados abordaram a recente operação policial, conhecida como “Sufoco”, que expulsou os usuários de droga na região da Nova Luz.

A ação, comandada pelo governo do estado em parceria com a prefeitura, foi duramente criticada. “O que se instalou lá, foi uma ótica de guerra”, definiu Daniela Skromov. Segundo ela, na apuração da Defensoria, de 140 pessoas entrevistadas, 80 relataram violência. Para Daniela, a operação trouxe dor, sufoco e sofrimento à região, o que não funciona para resolver o problema.

Na opinião de Jamil Murad, a operação foi fracassada, justamente porque quem assumiu o comando da operação foi a Polícia Militar, não os profissionais de Saúde, nem os assistentes sociais. “Essa operação, assim como em São José dos Campos, tem o viés de resolver as coisas pela Polícia Militar, pelo viés da violência, do autoritarismo, isso é absurdo, meteram os pés pelas mãos”, afirmou, comparando à recente desocupação do terreno Pinheirinho.

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Padre Julio também criticou a operação: “A Cracolândia foi eleita o bode expiatório de uma cidade que não sabe lidar com os problemas humanos”. Segundo o padre, enquanto a região concentra pessoas viciadas em crack, a sociedade sofre de outro vício, o consumo, e não sabe lidar com pessoas. “A operação na Cracolândia foi midiática, foi teatral.”

Para Daniela, a premissa do Estado Democrático de Direito, de que todo ser humano deve ser tratado com respeito ainda é muito frágil. “Hoje, importa mais a qualidade da vítima do que o delito em si.”

Além das críticas ao tratamento dado às pessoas da região conhecida como Cracolândia, a operação de revitalização Nova Luz foi rechaçada pelos moradores e representantes de movimentos sociais. Para os participantes, o projeto busca expulsar as pessoas do bairro para as periferias. “A Nova Luz deveria trazer uma novidade para a cidade, jogar uma luz sobre essa cidade excludente”, afirmou Padre Julio. “Serra é o pai do higienismo e Andrea Matarazzo, o padrinho.”

Aproximadamente 700 pessoas acompanharam a transmissão on line dos debates no lançamento do SPressoSP. Além da Cracolândia, foram debatidas a questão da moradia e a especulação imobiliária e a cobertura da mídia em São Paulo e o projeto do SPressoSP.

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