10 de agosto de 2018, 10h56

Quem é Cabo Daciolo: ex-grevista bombeiro do PSOL ao candidato das pérolas

Expulso do PSOL em 2015, deputado federal já profetizou na tribuna da Câmara que a deputada Mara Gabrilli iria voltar a andar e que Jean Wyllys ia casar e ter filhos

(Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

Cabo Daciolo foi o candidato mais procurado no Google após o término do primeiro debate entre presidenciáveis na TV Bandeirantes, nesta quinta-feira (10). O candidato do Patriota chamou a atenção no encontro com seu tom agressivo, falando de Deus e profetizando que o país seria uma “nação brasileira”.

“Tá chegando o momento de clamarmos a Deus. Em nome do senhor Jesus, tá chegando a transformação. Com fé, esperança e amor.”

Entre as suas pérolas, ele afirmou em uma resposta sobre o crescimento no número de feminicídios, que o problema da violência contra a mulher é “falta de amor”. Em outro momento do encontro disse que o país tem 400 bilhões de sonegadores, sendo que o número de habitantes é de 207 milhões, segundo o IBGE.

Daciolo fez referência a Enéas Carneiro. “Era tudo verdade o que ele dizia”, defendeu. Morto em 2007, Enéas era contrário à esquerda e conservador. Foi três vezes candidato à presidência, à prefeitura de São Paulo, até se eleger deputado federal com recorde de 1,5 milhão de votos.

Já o ex-bombeiro conseguiu se eleger em 2014, pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), com 49.831 votos. Mesmo assim sustentou no debate que há fraude nas urnas eletrônicas.

Cabo Daciolo é expulso do PSOL

Daciolo ficou conhecido em 2011, quando foi uma das lideranças da greve dos bombeiros no Rio de Janeiro. Na ocasião, os grevistas ocuparam o quartel-general da corporação e acamparam nas escadarias da Alerj. Daciolo chegou a ser preso por nove dias no presídio de Bangu I. Ele estava em Salvador, onde participava das negociações sobre a greve na Bahia, e ao desembarcar no Rio, foi detido, acusado “de crime de incitamento e aliciamento a motim”.

Eleito deputado em 2014, foi expulso do partido já em maio de 2015. depois que ele propôs uma emenda constitucional, contra o Estado laico, para alterar o parágrafo primeiro da Constituição Brasileira de “todo poder emana do povo” para “todo poder emana de Deus”.

Outra divergência dentro do PSOL ocorreu ao defender a libertação dos doze policiais acusados de participar da tortura e morte do pedreiro Amarildo Dias de Souza em 2013.

Cabo Daciolo na Câmara

Na Câmara dos Deputados, Daciolo protagonizou cenas constrangedoras. Durante uma sessão, ele, com a bíblia nas mãos, profetizou a cura, em minutos, da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP). Segundo ele, ela deixaria a cadeira de rodas e começaria a andar entre os deputados. “Eu quero aqui, diante de todos, profetizar a cura da deputada Mara. Eu creio que aquela mulher vai levantar da cadeira (de rodas) e vai começar a andar. Eu creio.” Mara ficou tetraplégica em um acidente de carro, em 2014.

Em outra pregação, “profetizou” que Jean Wyllys (PSOL-RJ) irá se casar e ter filhos. Da tribuna, Daciolo afirmou que Wyllys, único parlamentar assumidamente homossexual de todo o Congresso, ainda “levará a palavra de deus por todo o Brasil”.

Em dezembro de 2017, foi noticiada a absolvição de Daciolo pelo Supremo Tribunal Federal com base numa lei por ele mesmo proposta quando já era alvo de ação judicial, que anistiou bombeiros e policiais militares de diversos estados que participaram de movimentos grevistas entre 2011 e 2015.