04 de maio de 2018, 12h39

Carimbar dinheiro é uma forma de militância de tempos obscuros

Nos tempos da inflação galopante, o expediente chegou a ser usado pelo próprio Banco Central, que carimbava as notas com os seus valores atualizados

Notas de várias épocas carimbadas. Foto: Reprodução

A contrário do que os mais novos imaginam, carimbar notas de dinheiro é uma forma de militância política mais antiga do que parece. Recentemente, a campanha pela libertação de Lula usou carimbos nas notas com a frase “Lula Livre”, o que gerou Fake News de que elas perderiam o valor, logo desmentida pelo Banco Central.

Tanto é que os carimbos da campanha “Lula Livre” passaram a ser vendidos no Mercado Livre.

Como se pode perceber pela foto que ilustra a matéria, a estratégia já foi usada em diversos momentos cruciais da política brasileira, sobretudo em momentos em que a liberdade de expressão é comprometida, como a nota de 1 Cruzeiro que perguntava na década de 70: “Quem matou Herzog?”, sobre o assassinato, pela ditadura, do jornalista Vladimir Herzog.

Teve também o clamor por eleições diretas na década de 80; “Cuidado com o Trombadão, Maluf Não”, frase que perdurou em várias épocas e, mais recentemente, o “Fora Temer”, já nas notas de Real.

Nos tempos da inflação galopante, o expediente chegou a ser usado pelo próprio Banco Central, que carimbava as notas com os seus valores atualizados, com vários zeros cortados.