26 de junho de 2018, 21h59

Cartas do Pai: “Bala perdida não existe!”

O público alvo das balas perdidas é o preto e o pobre! Esses que morrem para não poderem frequentar escolas, e por isso quase nunca chegam às universidades

Rio de Janeiro, 26 de junho de 2018

Pai,

A gente sempre soube que a falta de investimento na educação tem um motivo: deixar o povo sem conhecimento e assim ficar mais fácil manipular a população.

Agora, assim como no imposto de renda, eles resolveram abater o estudante pobre, direto na fonte! Estudante uniformizado agora é alvo! Imagina esse pessoal estudando, se informando… daqui a pouco vão estar exigindo seus direitos e reclamando dos privilégios dos ricos. Isso eles não podem permitir!

Esse controle é chamado de “Bala Perdida”!

Só que não é qualquer estudante não, pai. Só os de escola pública! Os de escola particular já sabem seus direitos e já têm saúde, educação, cultura… Esses não são perigosos, já estão domesticados e acomodados.

Mas a bala não é perdida, não!

Ela não está por aí, pra atingir qualquer um. Ela sabe muito bem quem pode e quem não pode ser encontrado por ela. Ela sabe muito bem em que localidade ela pode trabalhar em paz.

São balas que só frequentam bairros pobres, elas não são bem-vindas nos bairros nobres.

De vez em quando atingem um “alvo errado”, como foi o caso da Luciana, em 2003, no campus de uma universidade particular aqui no Rio. Quanto tempo, heim?!… Mas na verdade ela deu azar…

O público alvo das balas perdidas é o preto e o pobre! Esses que morrem para não poderem frequentar escolas, e por isso quase nunca chegam às universidades.

Bala perdida não existe!

Um beijo do seu filho,

Ivan