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13 de Março de 2018, 22h20

Cartas do Pai: “O sexo forte”

Acho que os outros homens também acreditam na força superior das mulheres, testam sempre a capacidade delas de suportar a dor e de aguentar serem maltratadas

Sempre lembro quando me contou que não entendia por que elas eram chamadas de sexo frágil. Também, sua referência era a vó Maria, né! – Foto: Arquivo Pessoal

Rio de Janeiro, 13 de Março de 2018.

Pai,

Sempre que passa o Dia das Mulheres, lembro quando me contou que não entendia por que elas eram chamadas de sexo frágil. Também, sua referência era a vó Maria, né! Tem que ser muito forte pra criar oito filhos, sendo três hemofílicos, que não podiam se machucar. O que pra qualquer outro era um pequeno corte, pra vocês poderia ser a morte! Não podiam cair, se cortar, nem carregar muito peso.

Lembro de me dizer que sempre achou que as mulheres eram o sexo forte, pois elas que podiam correr, carregar peso, se machucar (e só limpavam o corte e aí já estavam bem de novo). Que o homem que era o sexo frágil, já que nem você nem o Betinho, nem o Chico Mário podiam fazer nada disso, por causa da hemofilia. Fortes eram a Tanda, a Wanda, a Zilá, a Glorinha e a Filó.

Acho que os outros homens também acreditam na força superior das mulheres, testam sempre a capacidade delas de suportar a dor e de aguentar serem maltratadas. Deixam nas costas delas cuidar da casa e da família sozinhas, mesmo quando elas trabalham fora também. E vai ver que por acharem elas mais fortes, pagam menos pelo mesmo trabalho.

Os homens evitam colocar elas à frente das coisas, em cargos de chefia, com medo delas tomarem o comando de tudo. Das empresas, dos governos e, por fim, dominarem o mundo!
Acho que é medo, pai!

As coisas estão mudando, mas ainda tem muito o que melhorar, afinal elas merecem!
Nós merecemos!

Um beijo para todas as nossas mulheres.

Seu filho