11 de setembro de 2018, 19h58

Cartas do Pai: “Quem provoca, não quer paz!”

Uma pessoa que provoca um cachorro e é mordida, foi porque ela provocou. Agora, uma pessoa provoca, incita a violência, e quando alguém reage e a agride... pronto! Agora, o provocador virou vítima!

Foto: Arquivo pessoal

Rio de Janeiro, 11 de setembro de 2018

Pai,

Li uma reportagem sobre cachorros que foram maltratados e ficaram agressivos, e vi um monte de comentários dizendo: “Lógico! Ele vai reagir ao ambiente que ele viveu, e ao que ele sofreu!”. Falaram, também, sobre pitbull não ser um cachorro violento: “Só é bravo quando é criado pra isso”. Concordo com isso, pai.

Mas o que notei é que quando é um ser humano, isso não vale. Uma criança é abandonada, maltratada e humilhada durante a sua vida toda, quando ela se torna agressiva, aí querem linchar.

Se fosse um cachorro, diriam: “Não, coitadinho dele, deve ter sido maltratado”. Sim, os dois foram maltratados. Sim, os dois estão reagindo ao que sofreram.

Queria que alguém me explicasse por que o que vale pra um, não vale pra outro?

Um cachorro abandonado e maltratado é violento por isso, mas um ser humano abandonado e maltratado é violento porque é ruim? Um merece carinho e o outro merece porrada?

Agora, tem pessoas que provocam, e também são olhadas de maneiras diferentes. Uma pessoa que provoca um cachorro e é mordida, foi porque ela provocou. Agora, uma pessoa provoca, incita a violência, e quando alguém reage e a agride… pronto! Agora, o provocador virou vítima!

Acho que os dois são culpados e os dois são vítimas.

Incitar a violência só leva a mais violência. E violência não leva a nada.

Você já dizia, né pai? Temos que “amar os amigos e desarmar os inimigos”. Só assim vamos ter paz!

Um beijo do seu filho,

Ivan