03 de junho de 2018, 17h41

Católicos LGBT não podem ser marginalizados na Igreja, diz jesuíta consultor do Vaticano

"Estamos obsessivamente preocupados com a moralidade sexual das pessoas LGBT", afirma James Martin. "Tenho ouvido muitas histórias, as mais horríveis, sobre como a comunidade LGBT tem sido maltratada pela Igreja."

(Foto: Divulgação)
O jesuíta norte-americano James Martin tem sido uma das principais vozes pelo respeito à população LGBT dentro da Igreja Católica. Ele lançou na Itália na última semana o livro: ‘Un Ponte da Costruire: Una Relazione Nuova Tra Chiesa e Persone LGBT’, algo como ‘Uma ponte a ser construída: um novo relacionamento entre a igreja e as pessoas LGBT’, em tradução livre. Em entrevista à BBC, neste domingo (3), ele defende que é preciso simplesmente seguir Jesus. “No Evangelho, nós vemos que Jesus constantemente ia ao encontro daqueles que sofriam porque estavam marginalizados. É aí que a Igreja é chamada a ser Igreja....

O jesuíta norte-americano James Martin tem sido uma das principais vozes pelo respeito à população LGBT dentro da Igreja Católica. Ele lançou na Itália na última semana o livro: ‘Un Ponte da Costruire: Una Relazione Nuova Tra Chiesa e Persone LGBT’, algo como ‘Uma ponte a ser construída: um novo relacionamento entre a igreja e as pessoas LGBT’, em tradução livre.

Em entrevista à BBC, neste domingo (3), ele defende que é preciso simplesmente seguir Jesus. “No Evangelho, nós vemos que Jesus constantemente ia ao encontro daqueles que sofriam porque estavam marginalizados. É aí que a Igreja é chamada a ser Igreja. E hoje ninguém é mais marginalizado em nossa igreja do que as pessoas LGBT. Então precisamos simplesmente seguir Jesus em seu caminho”, diz.

Martin critica o preconceito com os católicos LGBT. “Ninguém fica apontando o dedo para pessoas heterossexuais de modo semelhante, não ficamos incessantemente questionando-as sobre se eles usam métodos contraceptivos ou se praticam a masturbação – que também são questões que vão contra os ensinamentos da Igreja. Estamos obsessivamente preocupados com a moralidade sexual das pessoas LGBT.”

Para Martin, é preciso respeitar, admitindo que os católicos LGBT são membros plenos da Igreja, pela virtude do batismo: “Precisamos tratá-los com a dignidade que todo e qualquer ser humano merece e, principalmente, não rotulá-los ou excluí-los de ministérios e trabalhos dentro da Igreja”, apontou. “A grande urgência é parar de tratá-los como leprosos. Tenho ouvido muitas histórias, as mais horríveis, sobre como a comunidade LGBT tem sido maltratada pela Igreja. Algumas vezes padres simplesmente rotulam pessoas LGBTs como sujas.”

O jesuíta elogiou a atuação do Papa Francisco, que tem feito diversas declarações no sentido de tornar a Igreja mais abrangente, acolhedora e pastoral. “O papa está fazendo muito bem para as pessoas LGBT e suas famílias, católicas ou não, que precisam de palavras de conforto e que cicatrizem suas feridas.”

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