Blog do George Marques

direto do Congresso Nacional

12 de fevereiro de 2019, 17h07

Celso Amorim alerta que ação humanitária na Venezuela pode acarretar em intervenção militar

Para o ex-ministro das Relações Exteriores, uma ação humanitária na Venezuela só terá validade se for negociada entre os ministros da Defesa do Brasil e do país caribenho

Celso Amorim (Arquivo/Ministério das Relações Exteriores)

Para o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, que atuou durante oito anos no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a decisão do governo brasileiro de criar um corredor para a passagem e remédios e alimentos, mas eventualmente de armas, é uma “ação humanitária estrumentalizada” com o objetivo de uma intervenção militar na Venezuela.

“Ajuda humanitária tem que ser feita de acordo com as autoridades do local, senão ela vira uma operação com natureza militar. E isso seria caracterizado como uma intervenção militar vedada pela própria ONU”, relata o ex-chanceler.

Leia também
Washington já decidiu intervir militarmente na Venezuela, diz porta-voz da Rússia

Recém chegado ao Brasil de uma viagem ao exterior, ao blog Amorim pediu cautela e demonstrou apreensão sobre como a ajuda humanitária está sendo articulada pelo Itamaraty sob a gestão de Ernesto Araújo.

Para o ex-ministro, a ação só teria validade se fosse algo negociada entre os ministros da Defesa dos dois países, Venezuela e Brasil, a fim de encontrar um entendimento comum para que se resolva o impasse que tomou de conta do país vizinho.

Veja também:  Sentença de Lula pode ser anulada pelo STF caso Moro seja considerado suspeito

“Não acredito que nossos militares irão entrar na aventura de forçar uma aventura militar na Venezuela”, ressalta Amorim, citando que recentemente o vice-presidente, general Hamilton Mourão, descartou qualquer possibilidade do Brasil intervir no país vizinho.

A fronteira brasileira com a Venezuela passa pela terra indígena Pemon e os chefes da tribo garantem que permitirão a passagem por suas terras. Porém, os militares venezuelanos, ainda sob as ordens de Maduro, têm impedido a entrada.

Amorim entende que essa ajuda humanitária à Venezuela pode ter dois objetivos distintos: 1) um grande jogo de cena com objetivo de desmoralizar o governo venezuelano, tendo em vista que não estaria atendendo a necessidade de fome e saúde da população, ou, 2) o início de uma intervenção militar, que para o ex-chanceler pode ter consequências muitos graves para o Brasil.

De acordo com o ex-ministro, mesmo a população que deixa o país em virtude da crise econômica não quer uma intervenção externa. “A saída passa, a meu ver, por uma mediação envolvendo países latino-americanos, o Conselho de Segurança da ONU, o Papa Francisco com participação da Igreja, países europeus, mas especial que seja uma mediação imparcial que não possa prejulgar com antecedência o resultado”, destacou o ex-chanceler.

Veja também:  Diretor teatral que diz ter falido após apoio a Bolsonaro vai ganhar cargo no governo, segundo ministro

Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum