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02 de abril de 2015, 18h34

Chacina do Cabula: Laudos indicam que vítimas podem ter sido executadas por PMs

Mortes de doze rapazes ocorreram há quase dois meses, após operação policial na comunidade da capital baiana.

Mortes de doze rapazes ocorreram há quase dois meses, após operação policial na comunidade da capital baiana Por Redação Os laudos cadavéricos produzidos pelo Departamento de Polícia Técnica da Bahia apontam que as doze vítimas da operação policial que ficou conhecida como Chacina do Cabula, em Salvador (BA), podem ter sido executadas. As informações são do jornal baiano Correio. De acordo com os relatórios, parte dos disparos foi realizada de cima para baixo. Além disso, alguns dos rapazes baleados apresentam perfurações na palma da mão, braços e antebraços, sendo que apenas quatro deles tinham vestígios de pólvora nas mãos. As análises indicam...

Mortes de doze rapazes ocorreram há quase dois meses, após operação policial na comunidade da capital baiana

Por Redação

Os laudos cadavéricos produzidos pelo Departamento de Polícia Técnica da Bahia apontam que as doze vítimas da operação policial que ficou conhecida como Chacina do Cabula, em Salvador (BA), podem ter sido executadas. As informações são do jornal baiano Correio.

De acordo com os relatórios, parte dos disparos foi realizada de cima para baixo. Além disso, alguns dos rapazes baleados apresentam perfurações na palma da mão, braços e antebraços, sendo que apenas quatro deles tinham vestígios de pólvora nas mãos. As análises indicam ainda que a maioria possuía pelo menos cinco marcas de tiros — alguns deles disparados a curtas distâncias, de menos de 1,5 metro.

Em um dos casos, as perfurações em um dos suspeitos dá a entender que o projétil entrou pela base da cabeça e saiu pelo queixo. Consultada pelo Correio, uma fonte ligada à investigação declarou que disparos desse tipo ocorrem normalmente quando as vítimas foram mortas em posição de defesa, e afirmou que há “sinais evidentes de execução”.

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Também procurado pela reportagem, um perito baiano que preferiu permanecer anônimo disse que os diparos de cima para baixo indicam “que a pessoa morta está numa região mais baixa do que quem atirou”. “Isso subentende que a pessoa baleada estava deitada, agachada ou ajoelhada”, adiciona. Quanto aos corpos com marcas de perfurações no antebraço e braço, a situação sugere que a pessoa deve ter sido “pega de surpresa e que por isso elevou o braço”.

O jornal também consultou o presidente do Sindicato dos Peritos Criminais de São Paulo, Eduardo Becker Tagliarini, que foi um pouco menos incisivo na avaliação. “Sem informações da topografia do local, posição dos atores, armamento utilizado, vestígios, sede e orientação das lesões e dos danos no local, não temos elementos suficientes que permitam propor uma hipótese para o ocorrido”, argumenta o especialista.

O caso é investigado pelas polícias Militar e Civil e pelo Ministério Público da Bahia.

Relembre o caso

As doze mortes ocorreram há quase dois meses, na madrugada do dia 6 de fevereiro, durante ação levada a cabo por policias militares das Rondas Especiais (Rondesp). A versão da PM é a de que o grupo – suspeito de planejar um assalto a uma agência bancária –, ao perceber a chegada das viaturas, disparou em direção a elas. Em resposta, os agentes teriam iniciado o tiroteio. Os homens fugiram e adentraram um matagal, onde se encontravam outros integrantes da quadrilha, em um total de trinta pessoas. A ocorrência deixou, ao todo, 16 baleados.

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No entanto, os moradores da comunidade de Vila Moisés, onde tudo aconteceu, contam outra história. Testemunhas afirmam que os “suspeitos” foram executados. “De repente, ouvi rajadas. Me abaixei. Quando ouvi que não tinha mais nada, todos os rapazes estavam no chão”, contou um dos moradores da região.

(Foto: Rafael Bonifácio/Ponte)

 

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