08 de outubro de 2018, 21h18

Cheio de contradições, Bolsonaro diz no Jornal Nacional que será escravo da Constituição

Com um discurso repleto de contradições em relação ao que já disse, quando, inclusive, declarou que apoiava a ditadura, o militar afirmou que defende a democracia

Foto: Reprodução/Rede Globo

Em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, nesta segunda-feira (8), o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) desfilou uma série de controvérsias em relação a declarações anteriores. Aparentemente, esqueceu o discurso contra cotas, Bolsa Família e democracia e tentou transmitir uma imagem de um candidato calmo e amante da democracia. Afirmou que seu vice, General Mourão, foi infeliz ao dizer que a Constituição precisaria ser elaborada por notáveis. Segundo o candidato, que irá disputar o segundo turno com Fernando Haddad (PT), está faltando “tato” para que o seu vice fale sobre política.

Deixou de lado seu passado ditatorial e afirmou que acredita na democracia e, por isso, se submeteu ao teste nas urnas. “Jamais eu posso admitir uma nova Constituinte. Acreditamos no voto popular e seremos escravos da nossa Constituição”, disse. A polêmica sobre essa questão começou quando o vice do militar declarou que o documento não precisava ser elaborado por pessoas eleitas pelo povo.

O militar falou, ainda, que não defende uma nova Constituição, mas que deseja fazer algumas mudanças pontuais, como a redução da maioridade penal. “Precisamos de um governo com autoridade, não com autoritarismo”, afirmou, novamente esquecendo suas posições totalmente arbitrárias e autoritárias.

Além disso, Bolsonaro diz não ter entendido o que seu vice disse quando falou sobre um auto-golpe. Por fim, o militar declarou que irá pacificar e unir o povo brasileiro “sob a bandeira verde e amarela” e que irá juntar todos que foram “divididos no passado pela esquerda”. Difícil esperar que alguém com ideias e opiniões tão violentas possa unir e pacificar o país.