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17 de Maio de 2015, 14h20

Chico de Oliveira: a direita existe mais na imprensa do que na população

"Não me preocupo [com ondas conservadoras nas ruas] porque os tucanos não são populares. Não conseguirão galvanizar essa tentativa de desestabilização com apoio popular. Os tucanos sempre evitam recorrer às ruas. Panelaço não é o povo quem faz. Esse tipo de movimento não tem continuidade", disparou em entrevista

“Não me preocupo [com ondas conservadoras nas ruas] porque os tucanos não são populares. Não conseguirão galvanizar essa tentativa de desestabilização com apoio popular. Os tucanos sempre evitam recorrer às ruas. Panelaço não é o povo quem faz. Esse tipo de movimento não tem continuidade”, disparou em entrevista

Por Jornal GGN

“A crise parece muito grande, mas não é. O Brasil voltará a crescer, tem uma economia privilegiada e será uma sociedade mais igualitária. A burguesia do país é muito autoritária, mas seu jogo não vai prosperar. Os panelaços não terão continuidade.” É assim que a Folha de S. Paulo deste domingo (17) resume parte da entrevista com o sociólogo Francisco Maria Cavalcanti de Oliveira, 81, fundador do PT e do PSOL.

Crítico do Lulismo (acha conservador o governo do ex-presidente, apontou o jornal) e cético em relação aos últimos e futuros presidentes, Oliveira avaliou que a “concentração da crítica na Dilma é fogo de palha.” Para ele, os panelaços não terão continuidade pois não partem da massa popular que forma a maior parcela da população brasileira.

“Não me preocupo [com ondas conservadoras nas ruas] porque os tucanos não são populares. Não conseguirão galvanizar essa tentativa de desestabilização com apoio popular. Os tucanos sempre evitam recorrer às ruas. Panelaço não é o povo quem faz. Esse tipo de movimento não tem continuidade”, disparou.

Para ele, a “a direita existe mais na imprensa do que no movimento real de setores da população”, e o impeachment da presidente não vai para frente não só por falta de apoio na sociedade, mas porque “Renan Calheiros e Eduardo Cunha são fracos. Se fosse com o Ulysses Guimarães, Dilma estaria dançando miudinho.”

Segundo Oliveira, se a direita não tenha terreno para crescer, tampouco a esquerda tem se mostrado como opção sustentável. Isso porque, na visão dele, as esquerdas “são muito brasileiras: tendem mais à conciliação do que ao conflito”, e isso faz parecer que seus representantes não tenham projeto de longo prazo.

“A atual esquerda não tem projeto. Lula nunca teve, Dilma também não tem. O PT não sabe o que é o Brasil, não tem projeto. Está superado. Não vai acabar, mas não tem nada a dizer a respeito do desenvolvimento do Brasil. Vai empurrando com a barriga.”

A própria presidenta Dilma, de acordo com Oliveira, não tem solução para as mazelas do país. O que ela faz, na opinião do socialista, é um governo “médio e medíocre”. É um governo médio e medíocre. “Ela não é responsável pelos grandes males do país nem tem solução para eles. É uma presidente fraca. Votei com convicção nela nas duas vezes e não estou decepcionado. O governo não tem respostas para quase nada, mas não faz o programa do PSDB. Felizmente, apesar de governos fracos, a tentação autoritária não está voltando.”

Para o PT em 2018, ele prevê uma possível derrota, mas não provável. Lula terá de se reinventar. “De forma até radical, o que não é do estilo dele. Ou volta a fazer política de forma mais contundente e consistente ou se prepara para entregar o queijo para os tucanos. (…) Se houver um desastre e o PT for desalojado do poder, as burguesias nunca mais se esquecerão disso. Vão tentar manter o PT afastado.”

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Foto: Reprodução