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08 de março de 2018, 22h03

Em São Paulo, cidadão que economizar na água pode pagar mais caro

Parece fake news, mas não é: a Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp) quer "garantir o equilíbrio econômico-financeiro" da Sabesp

Foto: Agência Brasil
Por RBA Um “gatilho” criado pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp) pode reajustar o aumento da tarifa da Sabesp em caso de queda significativa do consumo. A ideia é aumentar o valor quando houver “variação anormal” do consumo médio para “garantir o equilíbrio econômico-financeiro” da empresa. A nova regra é inédita no setor de saneamento no país. “Quando cai o consumo, a concessionária tem menos água para cobrar e, consequentemente, perde receita. (…) Para equilibrar isso, a tarifa tem de subir”, afirmou José Bonifácio de Souza Amaral Filho, diretor de Regulação Econômico-Financeira da Arsesp, em entrevista ao...

Por RBA

Um “gatilho” criado pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp) pode reajustar o aumento da tarifa da Sabesp em caso de queda significativa do consumo. A ideia é aumentar o valor quando houver “variação anormal” do consumo médio para “garantir o equilíbrio econômico-financeiro” da empresa.

A nova regra é inédita no setor de saneamento no país. “Quando cai o consumo, a concessionária tem menos água para cobrar e, consequentemente, perde receita. (…) Para equilibrar isso, a tarifa tem de subir”, afirmou José Bonifácio de Souza Amaral Filho, diretor de Regulação Econômico-Financeira da Arsesp, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo.

Com a crise hídrica em 2014, a população do estado de São Paulo reduziu em 20% o consumo de água e passou a adotar um novo padrão de consumo, o que resultou numa queda de 53% no lucro da Sabesp. Em 2017, o gasto médio registrado foi de 129 litros por habitante/dia, 24% menor que o mesmo índice em 2013, de 169 litros por habitante/dia.  Entretanto, um último balanço aponta lucro recorde de R$ 2,9 bilhões da empresa de saneamento em 2016.

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“Aí está o real resultado de quando a água e o saneamento são tratados como mercadorias. O único interesse é o lucro dos acionistas”, diz a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU-CUT), em nota.

Em sua coluna na Folha de S.Paulo, o arquiteto e urbanista Nabil Bonduk afirma que, em vez de incentivar a economia, o governo Alckmin investe em obras bilionárias para trazer água de bacias mais distantes, para vender na região. “Isso interessa às empreiteiras, gera despesas desnecessárias e provoca enorme desequilíbrio ambiental, como deverá ocorrer com a transposição da água do rio Itapanhaú, em Bertioga, para abastecer a região metropolitana de São Paulo”, lamenta.

 

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