21 de novembro de 2018, 09h50

Cinegnose e Coletivo Resistência discutem guerra semiótica e antimídia

Na pauta, o detalhamento das táticas de mineração de Big Data nas redes sociais nas campanhas de Trump e Bolsonaro, e a articulação entre mídias tradicionais e as redes – “frame set” + criação de “Co-Memes” (constelação de memes que se apoiam mutuamente)

A convite do Coletivo Resistência, este editor do “Cinegnose” discutiu o tema “Guerra Híbrida e Guerra Semiótica” nessa última quarta-feira (14/11) no Sindicato dos Bancários no Centro de SP. Na pauta, o detalhamento das táticas de mineração de Big Data nas redes sociais nas campanhas de Trump e Bolsonaro, e a articulação entre mídias tradicionais e as redes – “frame set” + criação de “Co-Memes” (constelação de memes que se apoiam mutuamente). E a tríade de articulação de uma contra-comunicação: explorar o mesmo campo simbólico da direita, prospecção de líderes de opinião e estratégias de guerrilhas antimídia. Mas principalmente, como recuperar a aura antissistêmica do campo progressista – competentemente hackeada pelo discurso politicamente incorreto da direita. Como? Talvez a célebre e cínica revista de paródias incorretas underground “Mad” possa ser uma fonte de inspiração criativa.

 

Como de costume, rumando de bike para o evento dessa última quarta-feira, este humilde blogueiro experimentou um episódio sincrônico. Passando por uma “quebrada”, diante de um pequeno boteco, ouvi no meio de uma conversa sobre política bem acalorada uma frase emblemática: “Minha cor não é o vermelho, minha cor é o verde e amarelo!”.

Nesse bar periférico, próximo a duas igrejas neopentecostais (dessas improvisadas na garagem de pequenas casas ou de estabelecimentos comerciais fechados), estava a síntese do eficiente trabalho de comunicação da extrema-direita que agora colherá os frutos do seu “destino manifesto”.

Esse foi um dos principais temas discutidos nessa quarta no Auditório Azul do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, no Centro de SP: a necessidade das estratégias de comunicação do campo progressista descerem ao mesmo campo simbólico da direita: o campo brutal da iconificação, dos memes, dos pitacos e da comunicação indireta – aquela voltada para a conquista das chamadas “maiorias silenciosas”.

Do nazi-fascismo, a Jânio Quadros nos anos 1960 até Collor de Mello em 1989, é sempre a eficácia de hackear símbolos para transformar em ícones de fácil massificação e, agora, viralização.

Também o debate “Guerra Híbrida e Guerra Semiótica” apresentada por esse blogueiro, apontou também para outros dois campos estratégicos: (a) prospeção dos líderes de opinião em grupos e comunidades (sejam analógicos ou digitais) – afinal, são esses que em última instância sancionam os conteúdos das mídias; (b) estratégias de guerrilha antimídia.

Ícones, conteúdos e acontecimentos
Preliminarmente, foram apresentados numa forma didática os conceitos de sinalização, informação e comunicação– facilmente confundidos, mas numa estratégia de comunicação (principalmente política) é fundamental que sejam distinguidos para, respectivamente, criar ícones, criar conteúdos e criar acontecimentos.

Depois, foram detalhados os conceitos de Guerra Híbrida: a guerra convencional transposta para ferramentas semióticas que criam climas de opinião, percepções, atmosferas, acontecimentos – comunicação, enfim.

Mas principalmente todo o trabalho de mineração do chamado “Big Data” a partir das pesquisas do engenheiro informático Robert Mercer (Renaissance Technology) e os estudos da Universidade de Stanford feitos por Michal Kosinski em psicometria. E como tudo isso chegou à Cambridge Analytica, à campanha de Trump nos EUA e Bolsonaro no Brasil.

A importância dada às redes sociais nas campanhas de Trump e Bolsonaro não significa que as tradicionais mídias de massas perderam a importância. No cenário de Guerra Híbrida elas adquiriram um outro papel, não mais na criação de conteúdos para serem hipodermicamente impostos para a sociedade. Agora a grande mídia tem a função de criar um “frame set” – estratégia de agendamento ou criação de pauta por meio da sua consonância, acumulação e onipresença. Isso quer dizer que mesmo que os usuários das redes não assistam TV, as mídias tradicionais são ainda assim capazes de criar um “horizonte de eventos”, dentro da qual será realizado o “debate” e serão criados os acontecimentos políticos.

Articulação grande mídia e redes sociais
E no caso brasileiro, o frame setreforçado diariamente (a verdadeira moldura da cena política) foi a corrupção (anti-petismo e meganhagem da Justiça) e a pauta identitária – não é à toa que o movimento #EleNão só turbinou ainda mais Bolsonaro às portas da votação do segundo turno.

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