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16 de Maio de 2018, 11h28

Ciro: “Se eu prometesse indulto a Lula, estaria agindo contra ele”

Pré-candidato do PDT afirma: “Indulto é apenas para aqueles que já foram condenados em todas as instâncias. E Lula ainda está recorrendo da decisão que o condenou”

Foto: Reprodução/TV Brasil

Em entrevista concedida em Estocolmo, na Suécia, Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à presidência da República, declarou nesta terça-feira (15), que a ideia de prometer indulto ao ex-presidente Lula, no caso de assumir a presidência, seria “uma loucura”. “Se eu prometesse indulto a Lula, estaria agindo contra ele, que é meu amigo há mais de 30 anos. Indulto é apenas para aqueles que já foram condenados em todas as instâncias. E Lula ainda está recorrendo da decisão que o condenou. Portanto, se eu disser que daria indulto a Lula caso for eleito, Lula poderia me mandar para a p.q.p. Ou seja, ele teria uma reação adversa, e diria, ‘Porque vai me indultar? Sou inocente’”.

A declaração, segundo Claudia Wallin, para a BBC Brasil, foi feita em resposta à pergunta de um brasileiro que assistia à palestra de Ciro na Câmara de Comércio Brasileira na Suécia (“BrazilCham”) sobre se ele se comprometeria em conceder indulto a Lula.

Mesmo assim, o pedetista criticou o fato de o nome de Lula ainda constar dos cenários eleitorais das pesquisas de intenção de votos para as eleições presidenciais de 2018: “Estão repetindo a ideia de que vão manter a candidatura de Lula, não sei até que limite. Essa lógica que eles adotaram é perigosa. E evidentemente, conhecendo a vida como eu conheço, tenho sentido a minha responsabilidade crescendo muito. E tenho conversado com todo mundo. Com o PSB, com o PCdoB e com frações ou corpos inteiros de outros movimentos ao centro e à direita”, destacou.

Ciro ainda enfatizou que não aceitará críticas em relação às alianças que tenta articular com setores mais à direita, a exemplo das conversas sobre um possível acordo para encabeçar a chapa com um vice do PP. O pré-candidato ressaltou que procura um vice da “produção” e da região Sudeste, e um dos nomes cotados seria o do empresário Benjamin Steinbruch, vice-presidente da Fiesp. “Ninguém vai me patrulhar. Eu sou o que sou. E não será ninguém que já praticou coisas muito opostas aos meus valores que vai me impedir de fazer a unidade do país, tanto quanto eu a consiga”.

No que se refere às negociações com o PT e demais partidos progressistas, ele disse não acreditar que um eventual acordo seja provável ainda no primeiro turno. “Não é provável que isso aconteça ao redor do meu nome, e nem ao redor de ninguém já no primeiro turno. O PT precisa de tempo para amadurecer esse trauma extraordinário que é ter seu principal líder preso e inelegível por uma lei que eles próprios puseram em vigor”.