o colunista

por Cleber Lourenço

13 de junho de 2019, 06h00

Colunista conversa com David Miranda

Cleber Lourenço entrevista o deputado David Miranda (PSOL-RJ) e aborda inúmeros temas, como política e projetos futuros e vazamentos sobre a Lava Jato

Foto: Reprodução/Facebook

Incisivo, técnico e combativo. Esta semana conversei com o deputado David Miranda (PSOL-RJ) sobre a sua vida, sobre a política e seus projetos para o ano, em uma conversa tranquila, agradável e marcante com ele, que se encontra no “olho de um furacão”, que apenas começou a se formar em torno dos vazamentos do The Intercept Brasil, que atingiram os bastidores da Lava Jato. Miranda é casado com um dos maiores jornalistas desta época, Gleen Greenwald.

Na entrevista abaixo, levantei  apenas os principais pontos da nossa conversa, que você pode conferir na íntegra no final do texto.

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C: Como você enxerga o clima na Câmara após a #VazaJato?

DM: Olha, o clima está bem tenso aqui, se bem que ontem teve votação… Mas o clima aqui tá assim porque eles não sabem quando irá sair a próxima publicação..

C: Então, a Câmara parou um pouco os trabalhos para se preparar para o próximo vazamento?

DM: Acho que sim

C: Como você está lidando com as ameaças feitas recentemente contra você e a sua família? Além disso, muitos questionaram o auto-exilio do Jean Wyllys e perguntam o motivo de ele não ter buscado proteção do Estado. O que você me diz sobre isso?

DM: Ameaça pra mim é tranquilo, porém quando envolve a minha família é um pouco mais complicado. Então, é assim, estou tomando as medidas de segurança necessárias, já havia tomado semana passada, é… tô vendo outras medidas que eu posso tomar para proteger a mim e a minha familia. Porém, ainda com o pé no chão…

(…)O conteúdo dessas mensagens… É um conteúdo perturbador e a pessoa que manda um e-mail desses, escreve em fóruns da forma que escreveu é uma pessoa muito perturbada.

C: É um criminoso em potencial…

DM: Com certeza! E se essa pessoa ficar solta, pode vir em algum momento a cometer algum crime tanto comigo, quanto em qualquer outra pessoa, que talvez não seja do campo politico, ou qualquer pessoa na sociedade. Essa pessoa precisa ser detida e ver as faculdades mentais, porque provavelmente essa pessoa não passa bem.

(…) Minha companheira de partido, que sentava do meu lado, minha melhor amiga (Marielle) foi assassinada e sem sofrer ameaça nenhuma. A atuação parlamentar matou ela.

(…) Minha companheira, minha amiga de vida foi assassinada.

(…) O que eu tô lidando aqui não é uma simples ameaça que tô recebendo… Há um padrão que existe já com o nosso partido. Marcelo Freixo já teve vários atentados para tentar matar ele.

A gente vê um padrão, que tá associado à atividade parlamentar de parlamentares do PSOL.

C: Você acha que está tudo vindo de um mesmo grupo ou são ações de células de extrema direita isoladas?

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DM: Não tenho como dizer. Tendo um “background” jornalístico e entendendo que as investigações precisam ser feitas em um campo neutro. Eu não posso fazer uma especulação.

C: Sobre o auto-exílio do Jean Wyllys:

DM: As pessoas não têm informação. Obviamente, o Jean procurou os órgãos, obviamente o Jean fez todas as denúncias, o Jean andava com escolta, o Jean não tinha mais vida, era ameaçado, a família dele era ameaçada. Então, assim… Imagina você sendo parlamentar, sendo bombardeado constantemente (…) Tendo que se aprisionar (…) Isso vai minando a cabeça… Essa é uma tática que eles provavelmente vão tentar fazer comigo.

Mas eu já vou adiantando pra qualquer um deles que estiver lendo, (esta entrevista) que não vai funcionar (…) porque eu venho de um lugar.. Quando eu vi o primeiro corpo estendido eu tinha 8 anos de idade, na frente da minha casa.

Eu venho de um lugar de extrema violência, resisti à violência do governo da Inglaterra de quando eles me torturaram, resisti à muita pressão e não vão ser essas cartas, essas ameaças de morte que vão me fazer parar o trabalho e me paralisar.

C: Em um determinado ponto da conversa David mostrou que ele é preciso e pragmático quanto à sua atuação parlamentar e revelou que assinou um documento sobre um debate em torno da situação na Venezuela junto com Eduardo Bolsonaro, sobre as críticas pela atitude ele foi taxativo:

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DM: Não iria deixar apenas a extrema direita tripudiar e falar sobre o assunto sem um contraponto.

C: Recentemente a ex-candidata ao Senado por Minas Gerais, Duda Salabert, abandonou o PSOL, alegando que o partido não era justo com seus candidatos trans. Qual a sua opinião sobre isso?

DM: É uma perda enorme não ter a Duda em nossas fileiras. A Duda é um quadro excelentíssimo, fez um trabalho ótimo lá em Minas Gerais, sinto muito por ela ter saído. Mas infelizmente a gente vive em um país LGBTFóbico. É o país que mais mata LGBTs no mundo, é muito dificíl a gente sair e tentar encontrar um partido que acolha, que entenda e saiba que todas as especificidades (…) sejam contempladas de forma maravilhosa.

C: Como você acha que estará o clima ano que vem com as eleições regionais? Acha que bolsonarismo chegará desidratado?

DM: Olha, a gente pode pegar o exemplo dos EUA. Os EUA elegeram Trump. Trump veio nessa polarização, meio como a gente teve com o Lula e o Bolsonaro. Mas o que acontece? Dois anos depois o congresso de lá foi completamente democrático, um congresso onde tem mulheres, muçulmanos, mulheres latinas (…) O que eu acho que vai acontecer é um movimento de abertura dos olhos da população para figuras de extrema direita. A população tende a votar em figuras que vão estar se identificando mais, né?

(Pergunta enviada pelo seguidor no @marcos_bicalho) Qual sociedade é mais hipócrita? A do vazamento da NSA nos EUA ou a do vazamento da Lava Jato no Brasil? Por que parte da sociedade se irrita mais com o vazamento para a imprensa que com o conteúdo criminoso?

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DM: Olha eu não consigo fazer um panorama porque foram dois aspectos diferentes (…) Um era uma ação que o governo fazia massivamente (falando dos EUA) com a própria população. Ali era uma situação onde o governo fazia algo com a população diretamente…

Aqui no Brasil é um outro contexto. Aqui no Brasil temos uma parte do governo, que utilizou de mecanismos para acabar com o processo eleitoral, lesando a população.

(Pergunta enviada pela seguidora @DimitraVulcana) Como você pretende mostrar que tem projetos que vão além da pauta LGBT, tendo em vista que geralmente se pensa isso de pessoas LGBTs e sabemos que não é verdade.

DM: Isso é um debate em que eles tentam colocar a gente dentro de uma caixa. Eu sou um homem, pai, LGBT, negro, que venho das minhas raízes periféricas. Tenho todos estes estigmas dentro de mim (…)

Na cidade do Rio de Janeiro (falando da época em que foi vereador), nos dois anos que estive ali eu passei muitos projetos. Apenas um projeto meu foi para o público LGBTI.

(…) Eu não gosto de ser colocado em uma caixa, onde eu tenha limitação. Eu gosto de ser utilizado como uma ferramenta e as pessoas têm que utilizar o mandato.

Gostou? Confira abaixo a entrevista na íntegra, onde falamos sobre uma infinidade de coisas. São 40 minutos de uma conversa da mais alta qualidade.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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